terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Manuel António Pina, "O sorriso"

 



Manuel António Pina (2009). "O sorriso". In O cavalinho de pau do Menino Jesus e outros contos de Natal. Porto: Porto Editora: pp.  5-10

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Autran Dourado (1926-2012)

















Foto

Excerto de A Barca dos Homens


Nove horas da manhã e o dia já quente. A praia fervilhava de gente, as barracas de lona coloriam de vermelho, azul e amarelo a areia faiscante. A água deve estar gostosa, friinha até acostumar. Godofredo, vamos à praia? gritou ela para o marido. Ele custou a responder. Se você quiser. Sempre assim, fazia-se de rogado. Ela não gostava de pensar no carácter do marido, se exasperava. Como custou a conhecê-lo. Algumas pessoas a gente conhece logo, diz logo se têm medo, se são covardes, se têm força, um por um. Outras, a vida inteira não se manifestam, para sempre apagadas. Tinha para si algumas qualidades fundamentais ao homem: coragem, uma delas, a brutalidade talvez, a força diante da morte. Ela pensava em termos de morte, em termos definitivos. A vida não lhe dava nada daquilo. Não é reflectindo que o homem se descobre, pensou ela altamente filosófica. Há muitas coisas escondidas dentro do homem, que o pensamento jamais descobrirá. Os homens necessitam de espelho para se verem. Ou de uma acção qualquer, de uma luta qualquer. A vida lhe revelara um triste Godofredo. Vendo-o, ninguém diria, hem, meu pai?
            Lembrava-se dos primeiros tempos, quando conhecera Godofredo. Ele gostava de dizer o próprio nome. Não havia de ser Godofredo Cardoso de Barros que ia fazer aquilo. Não com Godofredo Cardoso de Barros. No fundo, Maria acarinhava a vaidade de se saber mais inteligente do que ele, mas gostava de vê-lo emitir opiniões definitivas. Ele tinha força, seus braços eram firmes quando lhe apertavam a cintura. E as mãos sem delicadeza lhe apalpando os seios? Amava-o, emprestava-lhe qualidades excepcionais. Godofredo trabalhava num banco, ganhava bem, começava a fazer alguns negócios, lia os seus livros, e sobretudo tinha opiniões. Um homem com opiniões é gozado. Ela ria como se estivesse brincando. Assim ela o acompanhava com uma seriedade fingida, feliz. Ele era o cabeça de casal. Sobretudo tinha opiniões. Maria provocava-o para vê-lo falar, para comer com os olhos os lábios grossos deitando palavras que possuíam existência real, como pedaços de carne, por mais abstractas que fossem. Era mesmo gozado ter ao lado um homem que tinha opiniões, que explicava as coisas. Godofredo. Deitava a cabeça nos seus ombros, não prestava muita atenção ao que ele dizia, só o barulho do peito, a voz que queria se fazer firme.
             Não havia de ser Godofredo Cardoso de Barros, repetia ela agora rindo interiormente, descobrira o ridículo de situações que antes admirava. A mocidade nunca é ridícula, hem, meu pai? Godofredo ali estava, mais velho, uma pessoa inteiramente diferente daquela que ela amara. De calção de banho, as pernas peludas, o peito peludo, a cabeça grande e peluda. No quarto ao lado.

Autran Dourado (1975). A Barca dos Homens. Amadora: Livraria Bertrand. pp. 31-32.
Páginas Paralelas:

Autran Dourado e Silviano Santiago na Revista Literária de Marcos Ribeiro

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Wislawa Szymborska (1923-2012)




















Foto


Wislawa Szymborska (2006). Instante. (Elzbieta Milewska e Sérgio Neves, Trad.). 
Lisboa: Relógio d’Água Editores. pp. 28-29.

Páginas paralelas:

Wislawa Szymbroska: The Nobel Prize in Literature 1996 at Nobelprize.org

     - Poetry
     - Biography
     - Nobel lecture

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Tony Scott (1944-2012)













Foto: The Guardian

Top Gun (1986) original trailer

Spy Game (2001) original trailer
Páginas paralelas:

Video: Tony Scott’s commercial for Saab at TopGear (BBC)

More commercials by Tony Scott here

Interview video: Tony Scott in 2009: 'I function off fear' (The Guardian)

Tony Scott: a career in pictures (The Guardian)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Millôr Fernandes (1923-2012)















Foto: Época


Poeminha: Última Vontade
Millôr Fernandes


Enterrem meu corpo em qualquer lugar.
Que não seja, porém, um cemitério.
De preferência, mata;
Na Gávea, na Tijuca, em Jacarepaguá.
Na tumba, em letras fundas,
Que o tempo não destrua,
Meu nome gravado claramente.
De modo que, um dia,
Um casal desgarrado
Em busca de sossêgo
Ou de saciedade solitária,
Me descubra entre fôlhas,
Detritos vegetais,
Cheiros de bichos mortos
(Como eu).
E como uma longa árvore desgalhada
Levantou um pouco a laje do meu túmulo
Com a raiz poderosa
haja a vaga impressão
De que não estou na morada.
Não sairei, prometo.
Estarei fenecendo normalmente
Em meu canteiro final.
E o casal repetirá meu nome
Sem saber quem eu fui,
E se irá embora
Preso à angústia infinita
Do ser e do não ser.
Ficarei entre ratos, lagartos,
Sol e chuvas ocasionais,
Estes sim, imortais
Até que um dia, de mim caia a semente
De onde há de brotar a flor
Que eu peço que se chame
Papáverum Millôr.

Millôr Fernandes (1967). Papáverum Millôr. Guanabara: Editora Prelo. p. 13.



(Autobiografia De Mim Mesmo À Maneira De Mim Próprio)
"E lá vou eu de novo, sem freio nem pára-quedas. Saiam da frente, ou debaixo que, se não estou radioativo, muito menos estou radiopassivo. Quando me sentei para escrever vinha tão cheio de idéias que só me saíam gêmeas, as palavras — reco-reco, tatibitate, ronronar, coré-coré, tom-tom, rema-rema, tintim-por-tintim. Fui obrigado a tomar uma pílula anticoncepcional. Agora estou bem, já não dói nada. Quem é que sou eu? Ah, que posso dizer? Como me espanta! Já não fazem Millôres como antigamente! Nasci pequeno e cresci aos poucos. Primeiro me fizeram os meios e, depois, as pontas. Só muito tarde cheguei aos extremos. Cabeça, tronco e membros, eis tudo. E não me revolto. Fiz três revoluções, todas perdidas. A primeira contra Deus, e ele me venceu com um sórdido milagre. A segunda com o destino, e ele me bateu, deixando-me só com seu pior enredo. A terceira contra mim mesmo, e a mim me consumi, e vim parar aqui.”
[…]
“A esta altura da vida, além de descendente e vivo, sou, também, antepassado. É bem verdade que, como Adão e Eva, depois de comerem a maçã, não registraram a idéia, daí em diante qualquer imbecil se achou no direito de fazer o mesmo. Só posso dizer, em abono meu, que ao repetir o Senhor, eu me empreguei a fundo. Em suma: um humorista nato. Muita gente, eu sei, preferiria que eu fosse um humorista morto, mas isso virá a seu tempo. Eles não perdem por esperar.”

Disponível aqui

Páginas Paralelas:

Veja alguns cartoons de Millôr Fernandes em A convicção da dúvida.

E os textos publicados na Folha de S. Paulo.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Antoni Tàpies (1923-2012)





















Foto disponível em Fundació Antoni Tàpies

Fonte: The Prisma

Páginas Paralelas:

Antoni Tàpies: Biografia - Fundació Antoni Tàpies

Alfabet Tàpies, documentário da ALEA TV, dirigido por Daniel Hernández (2003) no vimeo

Antoni Tàpies on ArtCyclopedia

"Antoni Tapies: A definite stir within the art world". The Prisma (2012)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Antonio Tabucchi (1943-2012)
















Foto disponível em Il Journal


“A distância que separa os vivos os mortos é assim tão grande?”
(Antonio Tabucchi, O Fio do Horizonte, p.10)



[excerto de O Fio do Horizonte)

Pegou então na folha sobre a qual tinha escrito a interrogação sobre Hécoba e pendurou-a com uma mola na corda da roupa do terraço, voltou a sentar-se na mesma posição em que estava e olhou para ela. A folha esvoaçava como uma bandeira batida pela brisa forte, era uma mancha clara e crepitante contra a noite que ia caindo. Contentou-se em ficar a olhar para ela, estabelecendo de novo um nexo entre aquela folha que se agitava na penumbra e o fio do horizonte que a pouco e pouco se desvanecia no escuro. Levantou-se lentamente porque se apoderara dele um grande cansaço: mas era um cansaço calmo e pacífico que o levava para a cama pela mão como se voltasse a ser criança.
E de noite teve um sonho. Era um sonho que já não aparecia há anos, muitos anos. Era um sonho infantil, e ele era leve e inocente; e a sonhar tinha curiosamente a consciência de ter reencontrado aquele sonho, e isso aumentava a sua inocência, como uma libertação.

Antonio Tabucchi (1997). O Fio do Horizonte
(Helena Domingos, Trad.). Lisboa: Quetzal Editores. p.83.



Páginas Paralelas:

Antonio Tabucchi at the complete review

Antonio Tabucchi na Biblioteca Nacional de Portugal

O Livro do Dia na TSF: o último de Tabucchi - O Tempo Envelhece Depressa (D. Quixote, 2012)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer (1907-2012)















Foto: The Guardian

A Mão, no Memorial da América Latina, em S. Paulo,
conjunto arquitetónio desenhado por Niemeyer (1989)
Foto: Disponível em Prix

“Suor, sangue e pobreza marcaram a história desta América Latina tão desarticulada e oprimida. Agora urge reajusta-la num monobloco intocável, capaz de fazê-la independente e feliz.” (Oscar Niemeyer)

Saiba mais sobre o Memorial da América Latina aqui.
Páginas Paralelas:

A obra de Oscar Niemeyer em fotos - disponível no sítio da TSF

O Museu Oscar Niemeyer em Curitiba

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Papiniano Carlos (1918-2012)














Foto: Universidade do Porto

Renovação
Em cada dia morre um homem em mim.
Em cada dia nasce um homem em mim.
Só o itinerário é o mesmo, e isso decerto basta.
E eu tenho saudade dos homens que fui!
E eu anseio, espero os homens que serei!
Dia após dia, eu me renovo, sigo sempre.
Meus olhos de ontem não são meus olhos de hoje.
Um mundo morre, outro mundo nasce em cada dia.
Só o itinerário é o mesmo, e isso decerto basta.
                                                      Disponível em Cantigueiro

Páginas Paralelas:

Papiniano Carlos: Biografia disponível na página Web da Universidade do Porto

Papiniano Carlos (1991). A Menina Gotinha de Água. Ilustrações de Joana Quental. Porto: Campo das Letras.
         
          Ficha disponível no sítio da Casa da Leitura
          Livro disponível em PPT aqui
         
          Do conto à ópera - A Menina Gotinha de Água no CCB em Setembro de 2012

Ópera infantil de Miguel Azguime, baseada no conto de Papiniano Carlos, pelo Coro Infantil da Universidade de Lisboa, sob a direção de Erica Mandillo, com narração de Ágata Mandillo

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

João Dixo (1941-2012)









Fonte

João Dixo

"Bandeira Nacional"
Acrílico e colagem sobre tela
Grupo Puzzle: Albuquerque Mendes, Armando Azevedo, Carlos Carreiro, Dario Alves, Fernando Pinto Coelho, Graça Morais, Jaime Silva, João Dixo e Pedro Rocha)



Páginas Paralelas:

João Dixo: Biografia em Pintura ou não?

"João Dixo: "Pinto por amor ao que faço" (entrevista) - Jornal de Notícias (2009)

"Anos 70 - Atravessar Fronteiras" - exposição promovida pelo Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (2009) - referência ao Grupo Puzzle do qual João Dixo foi membro fundador - disponível em artecapital.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012


Pedro Osório (1939-2012)
















Foto: Carlos Manuel Martins / Global Imagens
Fonte: DN Artes

Pedro Osório, "O Beijo do Sol" (incluído no seu último álbum, Cantos da Babilónio), inspirado num conto tradicional do Quénia


Páginas Paralelas:

O percurso de Pedro Osório: vídeos disponíveis no site do Expresso

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Adrienne Rich (1929-2012)

















Photo: Gypsy P. Ray
Source: Poets.org

Adrienne Rich reading her poem "What kind of Times Are These?" at the Geraldine R. Dodge Poetry Festival



What Kind Of Times Are These?


by Adrienne Rich

There's a place between two stands of trees where the grass grows uphill
and the old revolutionary road breaks off into shadows
near a meeting-house abandoned by the persecuted
who disappeared into those shadows.

I've walked there picking mushrooms at the edge of dread, but don't be fooled
this isn't a Russian poem, this is not somewhere else but here,
our country moving closer to its own truth and dread,
its own ways of making people disappear.

I won't tell you where the place is, the dark mesh of the woods
meeting the unmarked strip of light —
ghost-ridden crossroads, leafmold paradise:
I know already who wants to buy it, sell it, make it disappear.

And I won't tell you where it is, so why do I tell you
anything? Because you still listen, because in times like these
to have you listen at all, it's necessary
to talk about trees.


Source: YouTube


Páginas Paralelas:

Adrienne Rich: Biography and more on Poets.org

Adrienne Rich: Biography & Bibliography - Poetry Foundation

Adrienne Rich on Poetry Everywhere

Five poems by Adrienne Rich (The Nation)


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

No ano da morte de Manuel António Pina, muitos foram os grandes criadores que nos deixaram.

Durante este final de ano queremos prestar-lhes a nossa humilde homenagem, como prova de gratidão por tudo o que nos deixaram de bom e de belo.


Manuel António Pina (1943-2012)


      Foto de Alfredo Cunha 
      Fonte: No Vazio da Onda


BASTA IMAGINAR

Basta imaginar
um pássaro para o aprisionar,
e depois imaginar o ar para o libertar
e imaginar asas para ele voar
e imaginar uma canção para ele cantar.

Manuel António Pina (2005). O Pássaro da Cabeça. Ilustrações de Joana Quental. Vila Nova de Famalicão. Quasi Edições. Publicado pela primeria vez em 1983, com colagens de Maria Priscila Soares (A Regra do Jogo, Ed.)

Leia o livro todo no sítio Cata Livros (Fundação Calouste Gulbenkian/Casa da Leitura)

Páginas Paralelas:

Museu da Imprensa presta homenagem a Manuel António Pina

Manuel António Pina (Infopédia)

Nova edição de O Pássaro da Cabeça, com imagens de Ilda David (Assírio & Alvim)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Vamos plantar uma árvore de palavras
Hoje, dia 3 de dezembro de 2012, “Uma página por dia” está fora de portas, de visita à Escola Secundária com 3º Ciclo Diogo de Gouveia, em Beja.
Com a exposição “Leituras”, em que o texto assume uma dimensão visual representativa de diferentes conceitos, tipos e vertentes da leitura, a Rede de Universidades Leitoras / Instituto Politécnico de Beja (RUL/IPBeja) lança as sementes da iniciativa “Vamos plantar uma árvore de palavras”, que tem como primeira escola parceira a ES3 Diogo de Gouveia. Integra a exposição a árvore de “Uma página por dia”, da autoria de Viviane Silva, docente do IPBeja. Este será o suporte da mostra de textos divulgados no âmbito desta ação da RUL/IPBeja em 2011 e 2012.
“Vamos plantar uma árvore de palavras” é uma iniciativa que pretende, como o título indica, ir semeando árvores de palavras que possam funcionar como incentivo à leitura e à escrita entre os alunos de escolas do Ensino Básico e do Ensino Secundário. Cada escola construirá a sua árvore de palavras, onde serão expostos os textos e trabalhos de expressão artística dos alunos. Os melhores trabalhos serão também divulgados no blog http://plantararvorepalavras.wordpress.com/, que servirá ainda de repositório de recursos para os professores, nos domínios da leitura, da escrita e da criatividade.
A ES3 Diogo de Gouveia é, assim, a primeira escola a aderir a esta “rede”, que gostaríamos de ver transformada numa enorme floresta de palavras e ideias criativas. A equipa da RUL/IPBeja agradece à escola a disponibilidade e o compromisso assumido nesta primeira etapa do projeto, mais precisamente à Direção da Escola, aos Departamentos de Línguas e de Expressões, aos alunos e docentes que participam nas atividades e, muito particularmente, à Dra. Ana Serraninho Rocha, Coordenadora do Departamento de Línguas, e à Dra. Emília Polaco, Professora Bibliotecária, pela colaboração na organização e gestão do projeto.
Nos próximos dias, à árvore da RUL/IPBeja juntar-se-á a árvore original criada pela ES3 Diogo de Gouveia, com a primeira mostra de trabalhos da autoria dos alunos da escola, a divulgar mais tarde no blog http://plantararvorepalavras.wordpress.com/, onde poderá acompanhar todo o desenvolvimento desta iniciativa.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Antoine de Saint-Exupéry, Capítulo I de "Le Petit Prince"

Lorsque j'avais six ans j'ai vu, une fois, une magnifique image, dans un livre sur la Forêt Vierge qui s'appelait "Histoires Vécues". Ça représentait un serpent boa qui avalait un fauve. Voilà la copie du dessin.



On disait dans le livre: "Les serpents boas avalent leur proie tout entière, sans la mâcher. Ensuite ils ne peuvent plus bouger et ils dorment pendant les six mois de leur digestion".
J'ai alors beaucoup réfléchi sur les aventures de la jungle et, à mon tour, j'ai réussi, avec un crayon de couleur, à tracer mon premier dessin. Mon dessin numéro 1. Il était comme ça:




J'ai montré mon chef d'œuvre aux grandes personnes et je leur ai demandé si mon dessin leur faisait peur.
Elles m'ont répondu: "Pourquoi un chapeau ferait-il peur?"
Mon dessin ne représentait pas un chapeau. Il représentait un serpent boa qui digérait un éléphant. J'ai alors dessiné l'intérieur du serpent boa, afin que les grandes personnes puissent comprendre. Elles ont toujours besoin d'explications. Mon dessin numéro 2 était comme ça:




Les grandes personnes m'ont conseillé de laisser de côté les dessins de serpents boas ouverts ou fermés, et de m'intéresser plutôt à la géographie, à l'histoire, au calcul et à la grammaire. C'est ainsi que j'ai abandonné, à l'âge de six ans, une magnifique carrière de peintre. J'avais été découragé par l'insuccès de mon dessin numéro 1 et de mon dessin numéro 2. Les grandes personnes ne comprennent jamais rien toutes seules, et c'est fatigant, pour les enfants, de toujours leur donner des explications.
J'ai donc dû choisir un autre métier et j'ai appris à piloter des avions. J'ai volé un peu partout dans le monde. Et la géographie, c'est exact, m'a beaucoup servi. Je savais reconnaître, du premier coup d'œil, la Chine de l'Arizona. C'est très utile, si l'on est égaré pendant la nuit.
J'ai ainsi eu, au cours de ma vie, des tas de contacts avec des tas de gens sérieux. J'ai beaucoup vécu chez les grandes personnes. Je les ai vues de très près. Ça n'a pas trop amélioré mon opinion.
Quand j'en rencontrais une qui me paraissait un peu lucide, je faisais l'expérience sur elle de mon dessin n° 1 que j'ai toujours conservé. Je voulais savoir si elle était vraiment compréhensive. Mais toujours elle me répondait: "C'est un chapeau." Alors je ne lui parlais ni de serpents boas, ni de forêts vierges, ni d'étoiles. Je me mettais à sa portée. Je lui parlais de bridge, de golf, de politique et de cravates. Et la grande personne était bien contente de connaître un homme aussi raisonnable.

Pode ler a obra na íntegra neste endereço.


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Marguerite Duras, Excerto de "Écrire"

Écrire. Je ne peux pas.
Personne ne peut.
Il faut le dire, on ne peut pas.
Et on écrit.
C’est l’inconnu qu’on porte en soi écrire, c’est ça qui est atteint. C’est ça ou rien.
On peut parler d’une maladie de l’écrit.
Ce n’est pas simple ce que j’essaie de dire là, mais je crois qu’on peut s’y retrouver,
camarades de tous les pays.
Il y a une folie d’écrire qui est en soi-même, une folie d’écrire furieuse mais ce n’est pas
pour cela qu’on est dans la folie. Au contraire.
L’écriture c’est l’inconnu. Avant d’écrire, on ne sait rien de ce qu’on va écrire. Et en
toute lucidité.
C’est l’inconnu de soi, de sa tête, de son corps. Ce n’est même pas une réflexion, écrire,
c’est une sorte de faculté qu’on a à côté de sa personne, parallèlement à elle-même,
d’une autre personne qui apparaît et qui avance, invisible,douée de pensée, de colère, et
qui quelquefois, de son propre fait, est en danger d’en perdre la vie.
Si on savait quelque chose de ce qu’on va écrire, avant de le faire, avant d’écrire, on
n’écrirait jamais. Ce ne serait pas la peine.
Écrire, c’est tenter de savoir ce qu’on écrirait si on écrivait — on ne le sait qu’après —
avant, c’est la question la plus dangereuse que l’on puisse se poser. Mais c’est la plus
courante aussi.
L’écrit ça arrive comme le vent, c’est nu, c’est de l’encre, c’est l’écrit et ça passe comme
rien d’autre ne passe dans la vie, rien de plus, sauf elle, la vie.

Marguerite Duras, Ecrire
Collection folio, Editions Gallimard, 1993
Fonte

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Pierre Choderlos de Laclos, Excerto de "Les Liaisons dangereuses"


Lettre I

Cécile Volanges à Sophie Carnay
Tu vois, ma bonne amie, que je te tiens parole, & que les bonnets & les pompons ne prennent pas tout mon temps ; il m’en restera toujours pour toi. J’ai pourtant vu plus de parures dans cette seule journée que dans les quatre ans que nous avons passés ensemble, & je crois que la superbe Tanville[1] aura plus de chagrin à ma première visite, où je compte bien la demander, qu’elle n’a cru nous en faire toutes les fois qu’elle est venue nous voir dans son in fiocchi. Maman m’a consultée sur tout, & elle me traite beaucoup moins en pensionnaire que par le passé. J’ai une femme de chambre à moi ; j’ai une chambre & un cabinet dont je dispose, & je t’écris à un secrétaire très-joli, dont on m’a remis la clef, & où je peux renfermer tout ce que je veux. Maman m’a dit que je la verrais tous les jours à son lever ; qu’il suffisait que je fusse coiffée pour dîner, parce que nous serions toujours seules, & qu’alors elle me dirait chaque jour l’heure où je devrais l’aller joindre l’après-midi. Le reste du temps est à ma disposition, & j’ai ma harpe, mon dessin, & des livres comme au couvent ; si ce n’est que la mère Perpétue n’est pas là pour me gronder, & qu’il ne tiendrait qu’à moi d’être toujours sans rien faire : mais comme je n’ai pas ma Sophie pour causer ou pour rire, j’aime autant m’occuper.
Il n’est pas encore cinq heures, & je ne dois aller retrouver maman qu’à sept : voilà bien du temps, si j’avais quelque chose à te dire ! Mais on ne m’a encore parlé de rien ; & sans les apprêts que je vois faire, & la quantité d’ouvrières qui viennent toutes pour moi, je croirais qu’on ne songe pas à me marier, & que c’est un radotage de plus de la bonne Joséphine. Cependant maman m’a dit si souvent qu’une demoiselle devait rester au couvent jusqu’à ce qu’elle se mariât, que puisqu’elle m’en fait sortir, il faut bien que Joséphine ait raison.
Il vient d’arrêter un carrosse à la porte, & maman me fait dire de passer chez elle, tout de suite. Si c’était le monsieur ? Je ne suis pas habillée, la main me tremble & le cœur me bât. J’ai demandé à ma femme de chambre si elle savait qui était chez ma mère : Vraiment, m’a-t-elle dit, c’est M. Ch.** Et elle riait ! Oh ! je crois que c’est lui. Je reviendrai sûrement te raconter ce qui se sera passé. Voilà toujours son nom. Il ne faut pas se faire attendre. Adieu, jusqu’à un petit moment.
Comme tu vas te moquer de la pauvre Cécile ! Oh ! j’ai été bien honteuse ! Mais tu y aurais été attrapée comme moi. En entrant chez maman, j’ai vu un monsieur en noir, debout auprès d’elle. Je l’ai salué du mieux que j’ai pu, & je suis restée sans pouvoir bouger de ma place. Tu juges combien je l’examinais ! Madame, a-t-il dit à ma mère, en me saluant, voilà une charmante demoiselle, & je sens mieux que jamais le prix de vos bontés. À ce propos si positif, il m’a pris un tremblement, tel que je ne pouvais me soutenir ; j’ai trouvé un fauteuil, & je m’y suis assise, bien rouge & bien déconcertée. J’y étais à peine, que voilà cet homme à mes genoux. Ta pauvre Cécile alors a perdu la tête ; j’étais, comme a dit maman, tout effarouchée. Je me suis levée en jetant un cri perçant… tiens, comme ce jour du tonnerre. Maman est partie d’un éclat de rire, en me disant : « Eh bien ! qu’avez-vous ? Asseyez-vous, & donnez votre pied à monsieur. » En effet, ma chère amie, le monsieur était un cordonnier. Je ne peux te rendre combien j’ai été honteuse : par bonheur il n’y avait que maman. Je crois que, quand je serai mariée, je ne me servirai plus de ce cordonnier-là. Ce récit est bien différent de celui que je comptais te faire.
Conviens que nous voilà bien savantes ! Adieu. Il est près de six heures, et ma femme de chambre dit qu’il faut que je m’habille. Adieu, ma chère Sophie ; je t’aime comme si j’étais encore au couvent.
P.S : Je ne sais par qui envoyer ma lettre : ainsi j’attendrai que Joséphine vienne.
Fonte

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Louis Aragon, " Il n'y a pas d'amour heureux"

Rien n'est jamais acquis à l'homme Ni sa force
Ni sa faiblesse ni son coeur Et quand il croit
Ouvrir ses bras son ombre est celle d'une croix
Et quand il croit serrer son bonheur il le broie
Sa vie est un étrange et douloureux divorce

Il n'y a pas d'amour heureux

Sa vie Elle ressemble à ces soldats sans armes
Qu'on avait habillés pour un autre destin
A quoi peut leur servir de se lever matin
Eux qu'on retrouve au soir désoeuvrés incertains
Dites ces mots Ma vie Et retenez vos larmes

Il n'y a pas d'amour heureux

Mon bel amour mon cher amour ma déchirure
Je te porte dans moi comme un oiseau blessé
Et ceux-là sans savoir nous regardent passer
Répétant après moi les mots que j'ai tressés
Et qui pour tes grands yeux tout aussitôt moururent

Il n'y a pas d'amour heureux

Le temps d'apprendre à vivre il est déjà trop tard
Que pleurent dans la nuit nos coeurs à l'unisson
Ce qu'il faut de malheur pour la moindre chanson
Ce qu'il faut de regrets pour payer un frisson
Ce qu'il faut de sanglots pour un air de guitare

Il n'y a pas d'amour heureux

Il n'y a pas d'amour qui ne soit à douleur
Il n'y a pas d'amour dont on ne soit meurtri
Il n'y a pas d'amour dont on ne soit flétri
Et pas plus que de toi l'amour de la patrie
Il n'y a pas d'amour qui ne vive de pleurs

Il n'y a pas d'amour heureux
Mais c'est notre amour à tous les deux