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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo
Mia Couto, Abril 1984
(Excerto do Poema da Despedida,
In Raiz de Orvalho e Outros Poemas)

Esta semana, em torno do Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas, permitam-nos que celebremos a(s) Portugalidade(s), na voz daqueles que se vão “da lei da morte libertando” através da língua portuguesa. Desde a declaração de amor à nossa língua, da brasileira Clarice Lispector, aos primeiros poemas do moçambicano Mia Couto, o vencedor do Prémio Camões 2013, passaremos por Camões, o próprio, celebrado nas palavras de Almada, esse “português sem mestre” (Augusto-França) e na voz de Mário Viegas. Passaremos ainda, numa viagem da língua portuguesa por outros continentes, outras raízes, outras sonoridades e outras “raças”, por Onésimo Teotónio Almeida, açoriano que, do outro lado do Atlântico, talvez “tocado pela nostalgia da distância”, revisita a ilha e pensa que “emigrar é, afinal, a melhor maneira de lá ficar”, e por Waldemar Bastos, angolano que levou uma nova língua portuguesa na voz até aos quatro cantos do mundo. E finalmente aprenderemos com o vendedor de pássaros de Mia Couto que, apesar de tudo, “cada homem é uma raça”.
Clarice Lispector
Declaração de amor
Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la — como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope.
Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E esse desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.

Crónica publicada pela primeira vez a 11 de Maio de 1968, no Jornal do Brasil. Publicada depois, em 1984, em A Descoberta do Mundo (1984), que reúne as crónicas publicadas no Jornal do Brasil, entre 1967 e 1973. Disponível aqui

Este texto serve de “pórtico” à exposição “Clarice Lispector – A Hora da Estrela”, patente no Museu Gulbenkian, em Lisboa, até 23 de Junho.


Páginas Paralelas:
Exposição “Clarice Lispector – A Hora da Estrela”Museu Gulbenkian
Página Web sobre Clarice Lispector

terça-feira, 26 de março de 2013

Ana Hatherly
O Poeta é um Guardador

o poeta é um guardador

guarda a diferença
guarda da indiferença

no incerto
guarda a certeza da voz

Hatherly, Ana (2001). O Poeta é um Guardador.
In Um Calculador de Improbabilidades. Lisboa: Quimera.

Páginas Paralelas:
Biografia e poemas de Ana Hatherly em um buraco na sombra
Conheça outros poemas de Ana Hatherly em POEMARGENS
Ana Hatherly – “O poeta é”, no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria II

terça-feira, 19 de março de 2013

FADO FALADO
Aníbal Nazaré e Nelson de Barros

Fado Triste
Fado negro das vielas
Onde a noite quando passa
Leva mais tempo a passar
Ouve-se a voz
Voz inspirada de uma raça
Que mundo em fora nos levou
Pelo azul do mar
Se o fado se canta e chora
Também se pode falar

Mãos doloridas na guitarra
que desgarra dor bizarra
Mãos insofridas, mãos plangentes
Mãos frementes e impacientes
Mãos desoladas e sombrias
Desgraçadas, doentias
Quando à traição, ciúme e morte
E um coração a bater forte

Uma história bem singela
Bairro antigo, uma viela
Um marinheiro gingão
E a Emília cigarreira
Que ainda tinha mais virtude
Que a própria Rosa Maria
Em dia de procissão
Da Senhora da Saúde

Os beijos que ele lhe dava
Trazia-os ele de longe
Trazia-os ele do mar
Eram bravios e salgados
E ao regressar à tardinha
O mulherio tagarela
De todo o bairro de Alfama
Cochichava em segredinho
Que os sapatos dele e dela
Dormiam muito juntinhos
Debaixo da mesma cama

Pela janela da Emília
Entrava a lua
E a guitarra
À esquina de uma rua gemia,
Dolente a soluçar.
E lá em casa:

Mãos amorosas na guitarra
Que desgarra dor bizarra
Mãos frementes de desejo
Impacientes como um beijo
Mãos de fado, de pecado
A guitarra a afagar
Como um corpo de mulher
Para o despir e para o beijar

Mas um dia,
Mas um dia santo Deus, ele não veio
Ela espera olhando a lua, meu Deus
Que sofrer aquele
O luar bate nas casas
O luar bate na rua
Mas não marca a sombra dele
Procurou como doida
E ao voltar da esquina
Viu ele acompanhado
Com outra ao lado, de braço dado
Gingão, feliz, levião
Um ar fadista e bizarro
Um cravo atrás da orelha
E preso à boca vermelha
O que resta de um cigarro
Lume e cinza na viela,
Ela vê, que homem aquele
O lume no peito dela
A cinza no olhar dele

E o ciúme chegou como lume
Queimou, o seu peito a sangrar
Foi como vento que veio
Labareda atear, a fogueira aumentar
Foi a visão infernal
A imagem do mal que no bairro surgiu
Foi o amor que jurou
Que jurou e mentiu
Correm vertigens num grito
Direito ou maldito que há-de perder
Puxa a navalha, canalha
Não há quem te valha
Tu tens de morrer
Há alarido na viela
Que mulher aquela
Que paixão a sua
E cai um corpo sangrando
Nas pedras da rua

Mãos carinhosas, generosas
Que não conhecem o rancor
Mãos que o fado compreendem
e entendem sua dor
Mãos que não mentem
Quando sentem
Outras mãos para acarinhar
Mãos que brigam, que castigam
Mas que sabem perdoar

E pouco a pouco o amor regressou
Como lume queimou
Essas bocas febris
Foi um amor que voltou
E a desgraça trocou
Para ser mais feliz
Foi uma luz renascida
Um sonho, uma vida
De novo a surgir
Foi um amor que voltou
Que voltou a sorrir

Há gargalhadas no ar
E o sol a vibrar
Tem gritos de cor
Há alegria na viela
E em cada janela
Renasce uma flor
Veio o perdão e depois
Felizes os dois
Lá vão lado a lado
E digam lá se pode ou não
Falar-se o fado.


“Fado falado” por João Villaret

Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=Aj0cNJpJnFE


Páginas Paralelas:
Veja “O Fado na Arte – pintura” no blog ComJeitoeArte

segunda-feira, 18 de março de 2013

Literatura e Fado
Dedicamos esta semana a textos relacionados com o Fado.
David Mourão-Ferreira
Um Amor Feliz
[excerto]

     […]
     No retiro de fados do Bairro Alto onde acabámos por ancorar já eram escassas, entre os clientes, essas broncas cataduras de frustrados aspirantes a Marialvas que são hoje directores-gerais, passadores de droga, deputados da nação ou membros da segurança de qualquer partido; já as fadistas, desengraçadinhas e meio sonolentas, pouco ou nada se preocupavam em retocar a maquilhagem, desengelhar os collants, alisar as franjas dos xailes; já os violistas e o guitarrista pacatamente se conluiavam para em surdina ensaiarem novas variações destinadas a um espectáculo no Coliseu, dali a duas semanas, que talvez até fosse transmitido pela TV; já as empregadas e os empregados, elas vestidas de varinas, eles de campinos, só com dificuldade acediam a desencostar-se das ombreiras das portas, como se as ombreiras, sem eles, ficassem lamentavelmente privados de preciosos elementos decorativos. Embora a casa estivesse às moscas, esperámos uns bons vinte minutos até que nos trouxessem um canjirão de vinho tinto.
     […]
     Os violistas e o guitarrista acabavam felizmente de atacar com brio umas frenéticas variações que deveriam constituir o prelúdio do último round dos fadinhos: decerto em honra do Saltimbanco e da companheira, que pareciam muito íntimos do pessoal artístico da casa. Pela nossa parte, seria indecoroso continuarmos ali à conversa. Silêncio, pois, que se ia cantar o fado.
     No fim do round – de resultado nulo – eis que da mesa do Saltimbanco se levanta a companheira do Saltimbanco para vir sussurrar umas palavrinhas aos tocadores, para depois ir pedir o xaile à fadista que tinha acabado de actuar. Então, dirigindo-se especialmente à nossa mesa, informou a reduzida assembleia de que ia tentar interpretar um fado que pertencia ao reportório da grande Amália (e que a grande Amália, se viesse a sabê-lo, lho desculpasse!), cuja letra era da autoria de uma pessoa ali presente; e nomeou e apontou o seu amigo, a quem ainda tive tempo de murmurar:
     «Nem precisas de te fazer gestor… Estás cá com uma destas sortes!»
     Então, num doméstico fio de voz, que deve ser aprazível de ouvir quando ela em casa desligue o aspirador ou até o secador do cabelo, os primeiros versos ergueram-se, mais lânguidos que vibrantes, mais moles que lânguidos:

     Fui à praia, e vi nos limos
     a nossa vida enredada…
     Ó meu amor, se fugirmos,
     ninguém saberá de nada!

     Com o meu espírito prosaico, fiquei a matutar naquilo; e, no fim do fado, depois de o seu amigo ter ido agradecer à amadora intérprete, com beija-mão e tudo (mas ela pespegou-lhe dois chochos nas faces) e de se ter desentranhado em sorrisos de aplauso para o embevecido Saltimbanco, não me contive em observar:
     «Com que então se fugirem ninguém saberá de nada? Que raio de liberdade poética! Se fugirem é que fica mesmo toda a gente a saber de tudo…»
     […]

Mourão-Ferreira, David (1987). Um Amor Feliz
(3ªed.). Lisboa: Editorial Presença. pp. 267-271.


Páginas Paralelas:

Descubra a relação de David Mourão-Ferreira com o Fado no Portal do Fado e no site Museu do Fado.
Notícia sobre a criação do prémio David Mourão-Ferreira, oferecido pelo Centro Cultural de Belém e pelo Museu do Fado, que será atribuído, a partir de 2014, à melhor tese de mestrado sobre Fado e Literatura, disponível na Gazeta dos Artistas
Amália canta “Barco Negro” de David Mourão-Ferreira em Cannes (1962) 


Barco Negro
David Mourão-Ferreira

De manhã temendo que me achasses feia,
acordei tremendo deitada na areia,
mas logo os teus olhos disseram que não
e o sol penetrou no meu coração.

Vi depois, numa rocha, uma cruz,
e o teu barco negro dançava na luz;
vi teu braço acenando, entre as velas já soltas.
Dizem as velhas da praia que não voltas...
São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor,
que nem chegaste a partir,
pois tudo em meu redor
me diz que estás sempre comigo.

No vento que lança
areia nos vidros,
na água que canta,
no fogo mortiço,
no calor do leito,
nos bancos vazios,
dentro do meu peito
estás sempre comigo.

Disponível em http://www.tabacaria.com.pt/poesia/textos/Barco_Negro.htm (onde pode ver o poema anotado)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Gil Vicente na horta
Teatro Nacional D. Maria II
20 OUT - 2 DEZ 2012
Peça construída a partir de O Velho da horta, apresentada a D. Manuel no ano de 1512, e outros textos de Gil Vicente, primeiro autor de língua portuguesa que faz a transição da época Medieval para a época do Renascimento. Nesta farsa, onde se exalta a vitória da juventude contra a velhice e a morte, o espectador é colocado perante uma intriga engenhosamente construída. Um reencontro com a feira alegórica de personagens vicentinas, com as suas questões metateatrais, com o pensamento das sátiras e costumes.
O Velho da horta é uma peça de enredo, na qual se desenvolve uma ação contínua e encadeada com uma personagem marcada pelo conflito entre a razão e o sentimento amoroso: "Que morrer é acabar e amor não tem saída". A partir do sonho-pesadelo do Velho, evocam-se ainda neste espetáculo algumas das mais importantes obras de Gil Vicente: Todo o mundo e ninguém, Barca do Inferno, Auto da Cananeia, Auto da Alma, Auto da Festa, Auto Pastoril Português, Tragicomédia do Inverno e Verão e Auto da Índia.
A intemporalidade da obra de Gil Vicente é recuperada neste espetáculo popular, sagrado e profano que atravessa o tempo até aos dias de hoje com uma acutilante perspetiva sobre a sociedade contemporânea.
FICHA ARTÍSTICA
a partir de O Velho da horta e outros textos de Gil Vicente
versão cénica e encenação João Mota
com João Grosso, José Neves, Lúcia Maria, Manuel Coelho, Maria Amélia Matta, Alexandre Lopes, Marco Paiva, Simon Frankel e Bernardo Chatillon, Joana Cotrim, Jorge Albuquerque, Lita Pedreira, Luis Geraldo e Maria Jorge.

figurinos Carlos Paulo
desenho de luz José Carlos Nascimento
direção musical e sonoplastia Hugo Franco
máquina de cena Eric da Costa

produção TNDM II

M/ 12
Informação disponível no site do Teatro Nacional D.Maria II

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Um chá para Alice

Museu Calouste Gulbenkian
Exposição abre dia 1 de novembro

 

    Pormenor: Maggie Taylor (EUA), Always tea time
     (Colagem digital, 2008)


Celebrar a figura central do clássico de Lewis Carroll através de algumas das mais sugestivas ilustrações contemporâneas é o propósito da exposição Um Chá para Alice que a Fundação apresenta na sala de Exposições Temporárias (piso 01).
A exposição reúne uma centena de originais de alguns dos melhores ilustradores contemporâneos – 21 autores de 15 países –, que apresentam o seu olhar único sobre uma obra que sempre constituiu uma inesgotável fonte de inspiração de artistas de todo o mundo: Alice no País das Maravilhas. O eixo central da exposição é o emblemático episódio do chá do Chapeleiro Maluco e da Lebre de Março que inspirou ilustrações tão diversas quantos os autores presentes, e que serão mostradas em mesas desenhadas para o efeito. Serão, ao todo, 21 mesas – uma por cada ilustrador – com formas e alturas distintas, formando uma espécie de lagarta louca, onde todas ilustrações estarão expostas.

A mostra foi estreada este verão no Story Museum, em Oxford, cidade que viu nascer esta narrativa há 150 anos e que veio a tornar-se um dos contos mais universais e intemporais de sempre, hoje traduzido para mais de uma centena de idiomas.
Imaginada por Ju Godinho e Eduardo Filipe, e apoiada pela Fundação Calouste Gulbenkian, a exposição propõe mostrar várias representações visuais contemporâneas deste conto, que teve como primeiro ilustrador o próprio Lewis Carroll, que encheu o manuscrito original de desenhos. A partir daí, sucederam-se as mais diversas ilustrações até aos nossos dias. Algumas das mais notáveis podem ser agora vistas na Fundação até 10 de fevereiro.
Os artistas representados são Alain Gauthier, Lucie Laroche, Nicole Claveloux e Rebecca Dautrement (França), Anthony Browne, Helen Oxenbury e John Vernon Lord (Reino Unido), Chiara Carrer e Lisa Nanni (Itália), Anne Herbauts (Bélgica), Dusan Kallay (Eslováquia), Iban Barrenetxea (Espanha), Joanna Concejo (Polónia), Klaus Ensikat (Alemanha), Lisbeth Zwerger (Áustria), Maggie Taylor (EUA), Narges Mohammadi (Irão), Nelson Cruz (Brasil), Suzy Lee (Coreia do Sul), Teresa Lima (Portugal) e Vladimir Clavijo (Rússia).

As imagens de cada um deles transportam o espectador para uma dimensão paralela ao texto, uma dimensão visual feita de cores, formas, texturas e relações volumétricas. Através da visão e da arte de cada artista o público é levado a revisitar episódios e personagens, a comparar estilos, escolas e técnicas, a reconhecer influências culturais e a descobrir novas interpretações.
A estreita colaboração com a Biblioteca de Munique permite incluir nesta mostra um grande número de edições antigas e modernas deste conto que podem ser consultadas pelo público.


Um Chá para Alice

1 novembro 2012 / 10 fevereiro 2013
Edifício Sede – entrada livre

Informação disponível no site do Museu CalousteGulbenkian

terça-feira, 30 de outubro de 2012


As idades do mar
Nova exposição do Museu Calouste Gulbenkian

A partir do dia 26 de Outubro, o Museu Gulbenkian apresenta uma exposição centrada nas representações físicas e simbólicas do Mar ao longo de quatro séculos da pintura ocidental (séculos XVI-XX), por artistas como Turner, Friedrich, Ingres, Guardi, Bocklin, Constable, Lorrain, Monet, Courbet, Klee, Dufy, De Chirico, Manet ou Van Goyen, entre muitos outros. A pintura portuguesa estará representada por nomes como Amadeo, Vieira da Silva, Sousa Lopes, Noronha da Costa, António Carneiro ou João Vaz.

Com curadoria de João Castel-Branco Pereira, diretor do Museu Gulbenkian, As Idades do Mar reúne 108 obras vindas de meia centena de instituições nacionais e estrangeiras e conta com mais de uma dezena de peças da coleção do Museu d’Orsay.

A abrir a exposição estará A Largada do Bucentauro de Francesco Guardi, obra pertencente à coleção do Museu Gulbenkian e que sintetiza as linhas programáticas da mostra representando um ritual que se cumpria anualmente na cidade de Veneza que simbolizava o casamento entre a Terra e o Mar.

A exposição desenvolve-se, a partir daí, em seis núcleos distintos: A Idade dos Mitos; A Idade do Poder; A Idade do Trabalho; A Idade das Tormentas; A Idade Efémera; A Idade Infinita.

Em torno da exposição realizam-se três conferências sobre iconografia do mar na azulejaria, na tapeçaria e na pintura, nos dias 5, 12 e 26 de novembro, às 18h, no Auditório 3.


Fundação Calouste Gulbenkian
Sala de Exposições Temporárias da Sede 26 de outubro 2012 - 27 de janeiro 2013
10h-18h

Informação disponível no site do Museu Calouste Gulbenkian

segunda-feira, 29 de outubro de 2012


Paulo Monteiro
Autor em destaque no 23º Amadora BD

Cartaz do Festival, da autoria de Paulo Monteiro
Paulo Monteiro nasceu em Vila Nova de Gaia em 1967. A partir dos 13 anos começou a ilustrar fanzines de poesia, cartazes e murais. Depois de desistir da admissão às Belas-Artes, matriculou-se em Letras, na Universidade de Lisboa, em 1987. Durante esse período estudou Pintura e Cenografia para Teatro. Quando se licenciou, em 1991, foi viver para Beja, onde ainda vive. Tem um filho: Manuel.
Teve (e tem) interesses e actividades muito diferentes: trabalhou nas vindimas, passou filmes de Buster Keaton e Charlot de terra em terra, escreveu para a rádio e para os jornais, trabalhou no Cais Marítimo de Alcântara, compôs músicas, tocou guitarra em lares, foi professor de Geografia e Ciências da Natureza, fez cenários e figurinos para teatro, fez teatro de sombras chinesas e teatro de fantoches, participou em escavações arqueológicas, etc., etc. Também fez a curadoria de dezenas de exposições de escultura, ilustração, pintura antiga e contemporânea, etc.
Escreveu e publicou três fanzines de poesia: Poemas (1988), Poemas a andar de carro (2003) e Poemas Japoneses (2005).
Viaja regularmente pelo Sul de Portugal visitando escolas em pequenas vilas e cidades para falar de banda desenhada.
Desde 2005 que faz a direcção da Bedeteca de Beja e do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, por onde têm passado alguns dos mais excitantes autores de banda desenhada da actualidade como Craig Thompson, Dave McKean, David B., Gipi, Lorenzo Mattotti ou Miguelanxo Prado, entre muitos outros.
Foi também a partir de 2005 que se começou a dedicar essencialmente à banda desenhada, como autor…
A partir dessa altura publicou várias bandas desenhadas curtas em Portugal, no Brasil, na Colômbia e em Espanha. Realizou e participou em várias exposições de banda desenhada, essencialmente em Portugal, mas também no Brasil, Espanha, França, Itália e Roménia.
O seu primeiro livro, O Amor Infinito que te tenho, publicado pela Polvo em 2010, ganhou o Prémio Melhor Álbum Português Amadora BD 2011, e o Prémio Melhor Publicação Independente Central Comics 2011.
O Amor Infinito que te tenho será publicado em 2013 pela Blank Slate Books, no Reino Unido e na Irlanda, pela Balão Editorial, no Brasil, e pela Timof, na Polónia.
Neste momento encontra-se a trabalhar no segundo livro, que deverá estar concluído no final de 2015.
Biografia disponível no site do 23º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora2012
 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012


Algumas figuras do Portugal do século XX “desfilam”, desde a passada terça-feira, na nova estação de Metro do Aeroporto.
A responsabilidade é do cartoonista António, a quem o Metropolitano de Lisboa encomendou a decoração artística da nova estação.
Para a caricatura, este é sem dúvida um momento empolgante. Muitos artistas a usaram em trabalhos decorativos, numa vertente quase sempre efémera, mas é a primeira vez que ela ocupa um lugar de destaque num espaço público, com esta dimensão e de carácter permanente.
Consciente da importância deste momento, o Museu Bordalo Pinheiro considerou oportuno associar-se expondo, a partir do próximo dia 27, alguns dos estudos que o autor desenvolveu para chegar às representações definitivas que uma vez passadas à pedra deram lugar aos painéis, agora distribuídos pelo novo espaço.
Para além dos estudos de António, são também apresentados na Exposição um conjunto de fotografias que documentam os vários momentos técnicos da execução dos painéis, ou seja, todo o processo técnico que se seguiu ao processo criativo.
Por fim, são apresentados também alguns documentos utilizados neste trabalho. São fontes de inspiração a que o artista recorreu, que compreendem um conjunto diverso de suportes gráficos e permitem uma melhor percepção de todo o itinerário feito pelo caricaturista.
Disponível no site do museu: http://museubordalopinheiro.pt/0402.htm