Mostrar mensagens com a etiqueta Ilustração. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ilustração. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Pawel Kuczynski

Confession




Pawel Kuczynski (2014). Confession. Imagem disponível na “unofficial page” do ilustrador no Facebook: https://www.facebook.com/222849284410325/photos/a.315950128433573.91004.222849284410325/829208553774392/?type=1&theater (acedido a 22 de maio de 2014).

terça-feira, 9 de abril de 2013

João Aguiar

A Voz dos Deuses

[excerto]

(Ilustração de Vasco Lopes para esta edição de A Voz dos Deuses)
 
III – ENDOVÉLICO
I
Um clamor feito de milhares de vozes ressoou pelas fragas do Monte no momento em que as chamas subiram na gigantesca pira.
       Em redor, centenas de outras fogueiras mais pequenas consumiam os restos dos sacrifícios – ovelhas, cabras, porcos e bois, rebanhos inteiros trazidos da planície ou das povoações serranas. O cavalo de Viriato fora imolado em primeiro lugar e deposto aos seus pés, com as armas, o escudo e o capacete.
       Nada mais podíamos fazer senão lamentar a nossa perda e manifestar ao espírito do Comandante, antes que ele se afastasse, a dor que a sua morte nos causara. Enquanto o fogo devorava as madeiras, o corpo e as oferendas, formámos em ordem de batalha e desfilámos à volta da pira, soltando os gritos rituais e os lamentos fúnebres que devem saudar um grande chefe. Porém, gritos e lamentos saíam do coração dos guerreiros, não eram o simples cumprimento de um dever. Nenhum rei ibérico teve do seu povo a homenagem que a hoste lusitana e os habitantes do Monte da Deusa prestaram a Viriato.
       A realeza que os deuses não lhe conferiram em vida foi-lhe reconhecida por nós todos naquele último adeus. Viriato não partiu só; nos jogos que se realizaram sobre o sepulcro que acolheu as suas cinzas, mais de duzentos guerreiros combateram até à morte, para que no Além ele tivesse a sua escolta, uma verdadeira guarda real.
[…]
Aguiar, João (1999). A Voz dos Deuses (21ª ed.).
Porto: Asa Editores. pp. 342-344.
 
 
Páginas Paralelas:
“Autobiografia de João Aguiar. Momentos de Não-Glória” – autobiografia escrita para o JL em 2005

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

"Fever"
Jacek Yerka

Ilustração de Jacek Yerka que acompanha o conto "Fever" de Harlan Ellison para Mind Fields: The Art of Jacek Yerka, the Fiction of Harlan Ellison (1994). Disponível em http://yerka.org.ru/mind_fields/fever.html.

"Fever" parte da ideia de que Ícaro, a conhecida figura mitológica grega, não morre na queda e, sofrendo embora de amnésia, prossegue a sua vida, atormentado por uma febre nocturna e sonhos estranhos, em que vê inexplicáveis rostos nas nuvens.

Ver também "The Surreal Paintings that Inspired Harlan Ellison".

quarta-feira, 21 de novembro de 2012


Mário-Henrique Leiria (1994). Novos Contos do Gin (4ª Ed.). Lisboa:
Editorial Estampa. p. 159. [Publicado pela primeira vez em 1973]

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Um chá para Alice

Museu Calouste Gulbenkian
Exposição abre dia 1 de novembro

 

    Pormenor: Maggie Taylor (EUA), Always tea time
     (Colagem digital, 2008)


Celebrar a figura central do clássico de Lewis Carroll através de algumas das mais sugestivas ilustrações contemporâneas é o propósito da exposição Um Chá para Alice que a Fundação apresenta na sala de Exposições Temporárias (piso 01).
A exposição reúne uma centena de originais de alguns dos melhores ilustradores contemporâneos – 21 autores de 15 países –, que apresentam o seu olhar único sobre uma obra que sempre constituiu uma inesgotável fonte de inspiração de artistas de todo o mundo: Alice no País das Maravilhas. O eixo central da exposição é o emblemático episódio do chá do Chapeleiro Maluco e da Lebre de Março que inspirou ilustrações tão diversas quantos os autores presentes, e que serão mostradas em mesas desenhadas para o efeito. Serão, ao todo, 21 mesas – uma por cada ilustrador – com formas e alturas distintas, formando uma espécie de lagarta louca, onde todas ilustrações estarão expostas.

A mostra foi estreada este verão no Story Museum, em Oxford, cidade que viu nascer esta narrativa há 150 anos e que veio a tornar-se um dos contos mais universais e intemporais de sempre, hoje traduzido para mais de uma centena de idiomas.
Imaginada por Ju Godinho e Eduardo Filipe, e apoiada pela Fundação Calouste Gulbenkian, a exposição propõe mostrar várias representações visuais contemporâneas deste conto, que teve como primeiro ilustrador o próprio Lewis Carroll, que encheu o manuscrito original de desenhos. A partir daí, sucederam-se as mais diversas ilustrações até aos nossos dias. Algumas das mais notáveis podem ser agora vistas na Fundação até 10 de fevereiro.
Os artistas representados são Alain Gauthier, Lucie Laroche, Nicole Claveloux e Rebecca Dautrement (França), Anthony Browne, Helen Oxenbury e John Vernon Lord (Reino Unido), Chiara Carrer e Lisa Nanni (Itália), Anne Herbauts (Bélgica), Dusan Kallay (Eslováquia), Iban Barrenetxea (Espanha), Joanna Concejo (Polónia), Klaus Ensikat (Alemanha), Lisbeth Zwerger (Áustria), Maggie Taylor (EUA), Narges Mohammadi (Irão), Nelson Cruz (Brasil), Suzy Lee (Coreia do Sul), Teresa Lima (Portugal) e Vladimir Clavijo (Rússia).

As imagens de cada um deles transportam o espectador para uma dimensão paralela ao texto, uma dimensão visual feita de cores, formas, texturas e relações volumétricas. Através da visão e da arte de cada artista o público é levado a revisitar episódios e personagens, a comparar estilos, escolas e técnicas, a reconhecer influências culturais e a descobrir novas interpretações.
A estreita colaboração com a Biblioteca de Munique permite incluir nesta mostra um grande número de edições antigas e modernas deste conto que podem ser consultadas pelo público.


Um Chá para Alice

1 novembro 2012 / 10 fevereiro 2013
Edifício Sede – entrada livre

Informação disponível no site do Museu CalousteGulbenkian
Páginas Paralelas:

Lewis Carroll’s Alice’s Adventures in Wonderland, published online by Project Gutenberg 
Lewis Carroll’s Through the Looking Glass (And What AliceFound There), published online by Project Gutenberg 

Lewis Carroll’s Alice’s Adventures in Wonderland, with the original illustrations by Sir John Tenniel, ebook published by The University of Adelaide Library 

Lenny’s Alice in Wonderland site



terça-feira, 30 de outubro de 2012


Páginas Paralelas:
Mar

Um livro que é um “actividário” (actividades + abecedário), segundo os autores, que apresentam assim a co-autoria: textos de Ricardo Henriques, “com bitaites de André Letria”; ilustrações de André Letria, “com alvitres de Ricardo Henriques”. (Fonte: Público, 27.10.2012, p. 37)

 
Capa disponível em http://www.pato-logico.com/mar/
 


quinta-feira, 26 de julho de 2012

EMIGRANTES

Shaun Tan







Shaun Tan (2011). Emigrantes. Matosinhos: Kalandraka. [Publicado pela primeira vez em 2006 - título original: The Arrival]
Excertos dos Capítulos I e III
Páginas Paralelas:

Visite a Página Web de Shaun Tan e descubra outros mundos.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Sonhar ao Longe...


Jorge Serafim [2012]. Sonhar ao Longe... (José Francisco, Ilustração). s/l: Opera Omnia.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Eugénio de Andrade, "Frutos"


Jorge Ulisses, 1980

Pêssegos, peras, laranjas,
morangos, cerejas, figos,
maçãs, melão, melancia,
ó música de meus sentidos,
pura delícia da língua;
deixai-me agora falar
do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor,
pelo aroma das sílabas:
tangerina, tangerina.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

J. P. Mésseder e M. Bacelar, "Gatos, lagartos e outros poemas"



A meio da noite

Desperto no escuro,
um gato por guia,
e saio de casa,
p'ra noite fria.

Agora há tempo
para uma surtida,
que a noite é uma casa
larga e comprida.

Ouvidos alerta,
tão fino o olfato:
latidos em eco,
odor de outros gatos.

Roçamos nas planatas,
ouvimos os grilos,
seguimos no escuro
veredas e brilhos.

Mais uma folhinha,
ali uma cova.
Na casa da noite
sabemos quem mora...

Sentados no muro
lavamos o pelo,
lambemos as patas
com todo o zelo.

Que bom acordar
a meio da noite,
sair (não é sonho!)
com um gato por guia.

E haver lá no alto
a lua, as estrelas,
parar no escuro
a olhar para elas.

Mésseder, João Pedro (texto) e Manuela Bacelar (ilustração) (2012).
Gatos, Lagartos e outros poemas. Porto: Trampolim Edições: p. 24

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Manuel António Pina, Excerto de "O cavalinho de pau do Menino Jesus e outros contos de Natal", ilustrado por Inês do Carmo



Manuel António Pina (2009). O cavalinho de pau do Menino Jesus e outros contos de Natal.
Porto: Porto Editora.
Ilustrações de Inês do Carmo. pp. 6-7.




Esta é a última das páginas que diariamente tem recebido, desde 13 de Maio de 2011. Ao voltá-la, queremos desejar a todos uma feliz época festiva, com uma entrada em 2012 cheia de esperança.
A equipa de "Uma página por dia"

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Heitor Aghá Silva, Excerto de "arqueologia da palavra"



Na mão direita o sílex,
a pedra tosca…
Preênsil o sonho adere
ao gume rápido,
à súbita e excessiva claridade.
Galho a galho, feericamente iluminado,
treparei às bagas mais desejadas
e nos ramos mais altos dos meus olhos
sílaba a sílaba construirei
as luzes rápidas
da minha anunciada humanidade.
                                                               (p. 9)



Deito-me ao longo do poema.
Sobre a relva das palavras devagar me deito,
e dispo, e bebo nas ínfimas partículas do orvalho
as inflamadas vozes das manhãs vindouras.
Ao longo do poema, devagar,
como se o sangue prefaciado e antigo
coagulasse de repente,
surdamente explode um cântico selvagem…
Tatuagem. Seiva. Ritmo.
Estas serão as rosas que livremente eclodirão
na próxima Primavera.
Pelos muros do Outono
alguém construirá, sobre os meus ombros,
sinais visíveis dos ventos da mudança.

………………………………….
………………………………….

A cabeça do pássaro mal sustenta
a beleza extraordinária
que o seu canto encerra.
                                       (p.13)



Construtor de sonhos e de mitos
ergo-me bruxuleante
no interior de abóbadas irreais
e disponho, disciplinadamente,
o meu mobiliário de sombras
nos recantos mais iluminados.
Lá fora, rondando a noite, os lobos uivam.
A neve tem reflexos simiescos.
Multiplicando a fome pelo frio
inspiradamente eu grito: - Carne! Flecha!
Mão harmoniosa!...
Nas paredes do abrigo a magia do ocre
verbaliza a neblina matinal que se dissipa.
Na base de uma aresta inesperada
um olho nu desponta reclinado.
Tangem-lhe a íris migratória
ténues rémiges de uma ave mítica
em rápida ascensão solar.
Ganhando velocidade nas hastes pontiagudas
nitidamente a rena amadurece.
                                                     
                                                             (p. 21)

Heitor Aghá Silva (1991). arqueologia da palavra. Horta: Edição do autor.
Ilustrações de Sérgio Luís.

Link para o Avenida Marginal, Jornal cultural faialense, dirigido por Heitor H. Silva:http://jornalavenidamarginal.blogspot.com/2011/04/avenida-marginal-n-9.html


terça-feira, 29 de novembro de 2011

terça-feira, 4 de outubro de 2011

John Grogan, Excerto de "Marley & Eu"


Marley  não abanava apenas a cauda. Abanava o corpo todo, começando pelas partes dianteiras e prolongando todo o movimento para trás. Era como a versão canina de um Slinky. Parecia-nos que não tinha ossos, mas tão-só um grande músculo elástico. Jenny começou a chamar-lhe Mr. Wiggles. E não havia altura em que se abanasse mais do que quando tinha qualquer coisa na boca. A sua reacção a qualquer situação era sempre a mesma: agarrar o sapato ou o lápis mais próximo – qualquer objecto servia, na verdade – e correr com ele. Parecia haver uma pequena voz na sua cabeça a sussurrar-lhe: força! Apanha-o! Baba-o todo! Corre!
Alguns dos objectos que ele apanhava eram suficientemente pequenos para serem dissimulados, o que parecia agradar-lhe especialmente - parecia pensar que estava a conseguir ludibriar-nos. Mas Marley jamais daria um bom jogador de póquer. Quando tinha alguma coisa para esconder, não conseguia disfarçar o seu júbilo. Punha sempre um ar empertigado, até explodir numa espécie de frenesim maníaco, como se tivesse levado um pontapé no traseiro de um folião invisível. O seu corpo começava a tremer, a sua cabeça a abanar de um lado para o outro e o seu traseiro desandava numa espécie de dança espasmódica. Chamávamos a isso o mambo do Marley.
(…)
            A maioria das noites, depois de jantar, saíamos os dois com ele até à marginal, onde caminhávamos ao longo do canal enquanto os iates de Palm  Beach passavam indolentemente ao pôr do Sol.
              Caminhar é provavelmente a palavra errada. Marley passeava como uma locomotiva em fuga. Corria à frente, debatendo-se com a trela com todas as  suas forças, enrouquecendo e quase sufocando na sua obstinação. Nós puxávamo-lo para trás. Ele arrastava-nos para a frente. Nós puxávamos e ele rebocava-nos, arfando como um fumador compulsivo, estrangulado pela coleira. Guiava para a esquerda e para a direita, disparando para todas as caixas de correio e arbustos, farejando, arquejando e urinando descontroladamente, acabando por se molhar mais a si próprio, do que ao alvo pretendido.
            Descrevia círculos à nossa volta, enredando-nos a trela nos tornozelos antes de pular novamente para a frente, quase nos atirando ao chão. Quando alguém se aproximava com outro cão, Marley dardejava em direcção a eles, rejubilante, erguendo-se nas patas detrás quando chegava ao fim da trela, ansioso por fazer novos amigos.
John Grogan (2006). Marley & Eu: A vida e amor do pior cão do mundo.
(Pedro Serras Pereira, Trad.). Lisboa: Casa das Letras. pp. 47-49.

Ilustração inédita de Alexandra Lota*