quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Miguel Esteves Cardoso, "Declaração de Amor"
Quem é que tem a
sorte de ter um amor dele ou dela que ama ou que tem, seja amado ou
amada? Tenho eu e conheço muitas pessoas que já têm ou que vão ter. Mas,
tal como todos os outros apaixonados e todas as outras apaixonadas,
desconfio, com calor na alma, que ninguém tem o amor que eu tenho pela
Maria João, meu amor, minha mulher, minha salvação.
O amor sai caro - medo de perdê-la, medo do tempo a passar, medo do futuro - mas paga-se sem se dar por isso. Mentira. Dá-se por isso só nos intervalos de receber, receber, receber e dar, dar, dar.
Basta uma pequena zanga para parecer que todo aquele amor desmoronou: "Onde está esse teu apregoado amor por mim (de mãos nas ancas), agora que eu preciso dele?"
Quanto maior o amor, mais frágil parece. Quanto maior o amor, mais pequeno é o gesto que parece traí-lo. Mas com que alegria nos habituamos a viver nesse regime de tal terror!
Maria João, meu amor: o barulho que faz a felicidade é ouvires-me a perder tempo a resmungar e a pedir que tudo continue exactamente como está, para sempre. Que nada melhore. Que não tenhamos mais sorte do que já temos. Que nada mude nunca, a não ser quando mudamos juntos. E que fiquemos sempre não só com o que temos mas um com o outro.
É este o tempo que eu quero que dure, tu és o amor que eu tenho. Nunca te demores quando estás longe de mim, tem sempre cuidado, trata-te nas palminhas, que, cada vez que olho para ti, o meu coração cresce e eu amo-te cada vez mais.
Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público' (14 Fevereiro 2013)
O amor sai caro - medo de perdê-la, medo do tempo a passar, medo do futuro - mas paga-se sem se dar por isso. Mentira. Dá-se por isso só nos intervalos de receber, receber, receber e dar, dar, dar.
Basta uma pequena zanga para parecer que todo aquele amor desmoronou: "Onde está esse teu apregoado amor por mim (de mãos nas ancas), agora que eu preciso dele?"
Quanto maior o amor, mais frágil parece. Quanto maior o amor, mais pequeno é o gesto que parece traí-lo. Mas com que alegria nos habituamos a viver nesse regime de tal terror!
Maria João, meu amor: o barulho que faz a felicidade é ouvires-me a perder tempo a resmungar e a pedir que tudo continue exactamente como está, para sempre. Que nada melhore. Que não tenhamos mais sorte do que já temos. Que nada mude nunca, a não ser quando mudamos juntos. E que fiquemos sempre não só com o que temos mas um com o outro.
É este o tempo que eu quero que dure, tu és o amor que eu tenho. Nunca te demores quando estás longe de mim, tem sempre cuidado, trata-te nas palminhas, que, cada vez que olho para ti, o meu coração cresce e eu amo-te cada vez mais.
Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público' (14 Fevereiro 2013)
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Nuno Júdice, "Fragmento de ode"
Como o esboço de uma rosa,
um caule de verão sobe o rio
do teu corpo.
Os seus remos são versos
nesta barca de palavras que
procura a tua fonte.
E quando te encontrar,
a frase do amor abrirá a porta
dos lábios.
um caule de verão sobe o rio
do teu corpo.
Os seus remos são versos
nesta barca de palavras que
procura a tua fonte.
E quando te encontrar,
a frase do amor abrirá a porta
dos lábios.
Disponível em: http://aaz-nj.blogspot.pt/2008/08/fragmento-de-ode.html
Página Paralela:
Blogue de Nuno Júdice, A a Z
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
João Luís Barreto Guimarães, "A meias"
Bebo o meu café enquanto bebes
do meu café. Intriga-me que faças isso.
Se te posso pedir um
(se podes tomar um igual)
porque hás-de querer do meu?
Que
não. Que não queres. Escuso
de pedir
que não queres. Então
começo um cigarro e tu fumas
do meu cigarro dizes
«tenho quase a certeza de
não acabar um sozinha» por isso
fumas do meu.
Dá-te gozo esse roubar de
leves goles furtivos
dá gozo participar
do prazer que eu possa ter
contigo
(e entre nós)
dá-se agora tudo
a meias.
Extraído de:
(in «Poesia Reunida», Quetzal, Lisboa, 2011)
Página Paralela:
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
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