quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Antonio Tabucchi (1943-2012)
















Foto disponível em Il Journal


“A distância que separa os vivos os mortos é assim tão grande?”
(Antonio Tabucchi, O Fio do Horizonte, p.10)



[excerto de O Fio do Horizonte)

Pegou então na folha sobre a qual tinha escrito a interrogação sobre Hécoba e pendurou-a com uma mola na corda da roupa do terraço, voltou a sentar-se na mesma posição em que estava e olhou para ela. A folha esvoaçava como uma bandeira batida pela brisa forte, era uma mancha clara e crepitante contra a noite que ia caindo. Contentou-se em ficar a olhar para ela, estabelecendo de novo um nexo entre aquela folha que se agitava na penumbra e o fio do horizonte que a pouco e pouco se desvanecia no escuro. Levantou-se lentamente porque se apoderara dele um grande cansaço: mas era um cansaço calmo e pacífico que o levava para a cama pela mão como se voltasse a ser criança.
E de noite teve um sonho. Era um sonho que já não aparecia há anos, muitos anos. Era um sonho infantil, e ele era leve e inocente; e a sonhar tinha curiosamente a consciência de ter reencontrado aquele sonho, e isso aumentava a sua inocência, como uma libertação.

Antonio Tabucchi (1997). O Fio do Horizonte
(Helena Domingos, Trad.). Lisboa: Quetzal Editores. p.83.



Páginas Paralelas:

Antonio Tabucchi at the complete review

Antonio Tabucchi na Biblioteca Nacional de Portugal

O Livro do Dia na TSF: o último de Tabucchi - O Tempo Envelhece Depressa (D. Quixote, 2012)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer (1907-2012)















Foto: The Guardian

A Mão, no Memorial da América Latina, em S. Paulo,
conjunto arquitetónio desenhado por Niemeyer (1989)
Foto: Disponível em Prix

“Suor, sangue e pobreza marcaram a história desta América Latina tão desarticulada e oprimida. Agora urge reajusta-la num monobloco intocável, capaz de fazê-la independente e feliz.” (Oscar Niemeyer)

Saiba mais sobre o Memorial da América Latina aqui.
Páginas Paralelas:

A obra de Oscar Niemeyer em fotos - disponível no sítio da TSF

O Museu Oscar Niemeyer em Curitiba

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Papiniano Carlos (1918-2012)














Foto: Universidade do Porto

Renovação
Em cada dia morre um homem em mim.
Em cada dia nasce um homem em mim.
Só o itinerário é o mesmo, e isso decerto basta.
E eu tenho saudade dos homens que fui!
E eu anseio, espero os homens que serei!
Dia após dia, eu me renovo, sigo sempre.
Meus olhos de ontem não são meus olhos de hoje.
Um mundo morre, outro mundo nasce em cada dia.
Só o itinerário é o mesmo, e isso decerto basta.
                                                      Disponível em Cantigueiro