terça-feira, 30 de outubro de 2012


As idades do mar
Nova exposição do Museu Calouste Gulbenkian

A partir do dia 26 de Outubro, o Museu Gulbenkian apresenta uma exposição centrada nas representações físicas e simbólicas do Mar ao longo de quatro séculos da pintura ocidental (séculos XVI-XX), por artistas como Turner, Friedrich, Ingres, Guardi, Bocklin, Constable, Lorrain, Monet, Courbet, Klee, Dufy, De Chirico, Manet ou Van Goyen, entre muitos outros. A pintura portuguesa estará representada por nomes como Amadeo, Vieira da Silva, Sousa Lopes, Noronha da Costa, António Carneiro ou João Vaz.

Com curadoria de João Castel-Branco Pereira, diretor do Museu Gulbenkian, As Idades do Mar reúne 108 obras vindas de meia centena de instituições nacionais e estrangeiras e conta com mais de uma dezena de peças da coleção do Museu d’Orsay.

A abrir a exposição estará A Largada do Bucentauro de Francesco Guardi, obra pertencente à coleção do Museu Gulbenkian e que sintetiza as linhas programáticas da mostra representando um ritual que se cumpria anualmente na cidade de Veneza que simbolizava o casamento entre a Terra e o Mar.

A exposição desenvolve-se, a partir daí, em seis núcleos distintos: A Idade dos Mitos; A Idade do Poder; A Idade do Trabalho; A Idade das Tormentas; A Idade Efémera; A Idade Infinita.

Em torno da exposição realizam-se três conferências sobre iconografia do mar na azulejaria, na tapeçaria e na pintura, nos dias 5, 12 e 26 de novembro, às 18h, no Auditório 3.


Fundação Calouste Gulbenkian
Sala de Exposições Temporárias da Sede 26 de outubro 2012 - 27 de janeiro 2013
10h-18h

Informação disponível no site do Museu Calouste Gulbenkian


Páginas Paralelas:
Mar

Um livro que é um “actividário” (actividades + abecedário), segundo os autores, que apresentam assim a co-autoria: textos de Ricardo Henriques, “com bitaites de André Letria”; ilustrações de André Letria, “com alvitres de Ricardo Henriques”. (Fonte: Público, 27.10.2012, p. 37)

 
Capa disponível em http://www.pato-logico.com/mar/
 


segunda-feira, 29 de outubro de 2012


Paulo Monteiro
Autor em destaque no 23º Amadora BD

Cartaz do Festival, da autoria de Paulo Monteiro
Paulo Monteiro nasceu em Vila Nova de Gaia em 1967. A partir dos 13 anos começou a ilustrar fanzines de poesia, cartazes e murais. Depois de desistir da admissão às Belas-Artes, matriculou-se em Letras, na Universidade de Lisboa, em 1987. Durante esse período estudou Pintura e Cenografia para Teatro. Quando se licenciou, em 1991, foi viver para Beja, onde ainda vive. Tem um filho: Manuel.
Teve (e tem) interesses e actividades muito diferentes: trabalhou nas vindimas, passou filmes de Buster Keaton e Charlot de terra em terra, escreveu para a rádio e para os jornais, trabalhou no Cais Marítimo de Alcântara, compôs músicas, tocou guitarra em lares, foi professor de Geografia e Ciências da Natureza, fez cenários e figurinos para teatro, fez teatro de sombras chinesas e teatro de fantoches, participou em escavações arqueológicas, etc., etc. Também fez a curadoria de dezenas de exposições de escultura, ilustração, pintura antiga e contemporânea, etc.
Escreveu e publicou três fanzines de poesia: Poemas (1988), Poemas a andar de carro (2003) e Poemas Japoneses (2005).
Viaja regularmente pelo Sul de Portugal visitando escolas em pequenas vilas e cidades para falar de banda desenhada.
Desde 2005 que faz a direcção da Bedeteca de Beja e do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, por onde têm passado alguns dos mais excitantes autores de banda desenhada da actualidade como Craig Thompson, Dave McKean, David B., Gipi, Lorenzo Mattotti ou Miguelanxo Prado, entre muitos outros.
Foi também a partir de 2005 que se começou a dedicar essencialmente à banda desenhada, como autor…
A partir dessa altura publicou várias bandas desenhadas curtas em Portugal, no Brasil, na Colômbia e em Espanha. Realizou e participou em várias exposições de banda desenhada, essencialmente em Portugal, mas também no Brasil, Espanha, França, Itália e Roménia.
O seu primeiro livro, O Amor Infinito que te tenho, publicado pela Polvo em 2010, ganhou o Prémio Melhor Álbum Português Amadora BD 2011, e o Prémio Melhor Publicação Independente Central Comics 2011.
O Amor Infinito que te tenho será publicado em 2013 pela Blank Slate Books, no Reino Unido e na Irlanda, pela Balão Editorial, no Brasil, e pela Timof, na Polónia.
Neste momento encontra-se a trabalhar no segundo livro, que deverá estar concluído no final de 2015.
Biografia disponível no site do 23º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora2012
 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Manuel António Pina (1943-2012)

Havia uma flor!
Nem eu sabia
onde é que a flor havia,
mas tanto fazia.

Talvez houvesse
onde ninguém soubesse
ou fosse uma flor de estar a haver
só na minha imaginação,
ou não fosse uma flor, fosse uma canção.

Nem a flor sabia
que existia.
Em qualquer sítio, sem saber, floria.
E se fosse uma canção cantava e não se ouvia.

E isso acontecia
no meu coração.
Não sei se era uma flor se uma melodia,
era qualquer coisa que havia,
e cantava e floria,
dentro de mim sem razão.

Ia pela rua e ninguém diria.
As pessoas passavam
e eu dizia:
"Bom dia!"
E ninguém suspeitava
o bom dia que fazia
em qualquer sítio
que dentro de mim havia!
Só eu sabia e sorria,
Levando-te pela mão.

Manuel António Pina (1995). O Tepluquê e outras histórias. Porto: Edições Afrontamento

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Manuel António Pina (1943-2012)

Não desfazendo


Nada do que existe
nos cai do céu na cabeça.
Nem a chuva, embora pareça:
até ela estava cá em baixo a existir
antes de ser chuva e cair!

Mais ou menos perfeito ou imperfeito,
tudo o que existe foi feito
e, antes de ser feito, desfeito.

Com água, luz e vento
a Terra se foi fazendo;
o distante Sol está ardendo
há milhões de anos e morrendo.
O lavrador deitou à terra a semente,
o operário fez a enxada e a charrua,
o cantor canta no palco, o actor actua,
o inventor inventa o inexistente.
Foi feita a cama,
feito o pijama,
com fogo e esforço
se fez o almoço.
Quem faz agora este alvoroço
toda a tarde a brincar e a correr
enchendo de alegria a casa inteira?
Oh, que é feito do tempo da brincadeira 
em que não havia nada que fazer?
Manuel António Pina (2005) O Pássaro da Cabeça.
V. N. de Famalicão: Quasi Edições: s.p.; ilustrações de Joana Quental

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Via Poema Possível



Primeiro abre-se a porta
por dentro sobre a tela imatura onde previamente
se escreveram palavras antigas: o cão, o jardim impresente,
a mãe para sempre morta.

Anoiteceu, apagamos a luz e, depois,
como uma foto que se guarda na carteira,
iluminam-se no quintal as flores da macieira
e, no papel de parede, agitam-se as recordações.

Protege-te delas, das recordações,
dos seus ócios, das suas conspirações;
usa cores morosas, tons mais-que-perfeitos:
o rosa para as lágrimas, o azul para os sonhos desfeitos.

Uma casa é as ruínas de uma casa,
uma coisa ameaçadora à espera de uma palavra;
desenha-a como quem embala um remorso,
com algum grau de abstracção e sem um plano rigoroso.

(in Como se desenha uma casa; Assírio & Alvim, 2011)
Página paralela