sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Páginas paralelas:

Organic Machine (trailer) - filme realizado por Kelzang Ravach, como trabalho de fim de curso no IPBeja

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O MOSTRENGO

Fernando Pessoa


O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-rei D. João Segundo!»

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-rei D. João Segundo!»


Fernando Pessoa (1967). Mensagem (8ª Ed.). Lisboa: Edições Ática. pp. 62-63.
Páginas paralelas:
O Mostrengo - Fernando Pessoa, na voz de Paulo Autran


João Villaret recita "O Mostrengo" de Fernando Pessoa

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O INFANTE
Fernando Pessoa

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando em espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
 E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!


Fernando Pessoa (1967). Mensagem (8ª Ed.). Lisboa: Edições Ática. p. 57.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Os Lusíadas
Luís de Camões




Imagem da primeira página do Canto I de Os Lusíadas,
de Luís de Camões, disponível em http://purl.pt/1/1/P7.html
CAMOES,, Luís de,, 1524?-1580
Os Lusiadas / de Luis de Camões. - Lisboa : em casa de Antonio Gõçaluez,, 1572. - [2], 186 f. ; 4º (20 cm)
http://purl.pt/1

"Edição princeps conhecida por edição "Ee", distingue-se pela sétima estância da primeira estrofe "E entre gente remota edificarão". - Assin.: [ ]//2, A-Y//8, Z//10. - Na portada cabeça do pelicano voltada para a esquerda do observador. - Folha branca com notas manuscritas PTBN: CAM. 2 P.; CAM. 3 P.. - Encadernação da época de pergaminho, com falta dos atilhos PTBN: CAM. 4 P.. - Pert. na f. [2]: «T. NORTON» PTBN: CAM. 2 P.. - Nota manuscrita na folha de guarda: «Pertencia a livraria de D. Francisco Manuel de Mello»; na p. de tít.: «Manoel Lopes Teixr.ª»; na última f.: «D. Jer.mo Correa da Costa» PTBN: CAM. 4 P.. - Exemplar restaurado PTBN: CAM. 2 P.. - Anselmo 697. - D. Manuel 136. - Simões 116"
(Informação disponível na Ficha Bibliográfica da Biblioteca Nacional Digital <http://purl.pt/1/1/>)
Página paralela:

Visite a biblioteca nacional digital da Biblioteca Nacional de Portugal.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Bem vindos de novo à nossa companhia.

No rescaldo das férias, e continuando o tema da última semana, trazemos este mês mais alguns textos relacionados com viagens.



NAVEGAÇÃO

Distância da distância derivada
Aparição do mundo: a terra escorre
Pelos olhos que a vêem revelada.
E atrás um outro longe imenso morre.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1991). Obra Poética I (2ª Ed.).
Lisboa: Editorial Caminho. p. 107.