Jorge Serafim [2012]. Sonhar ao Longe... (José Francisco, Ilustração). s/l: Opera Omnia.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Sophia de Mello Breyner Andresen, "Dança de Junho"
Em silêncio nas coisas embaladas
Vão dançando ao sabor dos seus segredos.
Nos seus vestidos brancos e bordados
Raios da lua poisam como dedos,
E em seu redor baloiçam arvoredos
Escuros entre os céus atormentados.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Soeiro Pereira Gomes, "Esteiros"
Verão
[...]
[...]
Como bando de pardais, a malta assaltou o vale, que era então, todo ele, frutescente pomar. Já as nespereiras, tempos antes, haviam sofirdo grave desbaste, e as cerejeiras também. Mas eram as uvas que, a todas as horas, mitigavam o apetite dos garotos. Dizia-se até que a vinha velha do Antunes, desmurada, nunca chegava a ser vindimada por ele.
Gineto preferia, porém, as quintas frondosas do Castro e de outros, que tinham uvas de casta, doces como o mel. Vestiu um casacão velho que lhe dava pelos joelhos, roubado ao pai, e escalou o muro, deixando os outros à espera na estrada.
– Sor Miguel, dê-me um cachinho de uvas... – gritou ele, empoleirado. Uma pausa e de novo a lamúria: – Sor Miguel...
Ninguém respondeu. O silêncio e as portas encerradas da moradia indicavam que o caseiro devia estar longe, ou fora da quinta. Saguí informou que também o canzarrão estava preso no jardim.
Saltaram à vinha. Gineto correu por entre as cepas, rojando o casaco, em busca de uvas moscatel. Primeiro, comeu; depois, pôs-se a encher as pregas da camisa, mantendo o casaco vazio, para não lhe tolher os movimentos.
Junto ao muro, os companheiros depenicavam e riam, uns sentados, de cócoras outros, mas todos à vontade, como se a quinta lhes pertencesse. Naquele dia, julgavam-se donos do mundo. [...]
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Eugénio de Andrade, "Leonoreta"
![]() |
| Fonte da imagem |
Borboleta, borboleta,
flor do ar,
onde vais tu, que me não levas?
Onde vais tu, Leonoreta?
Vou ao rio, e tenho pressa,
não te ponhas no caminho.
Vou ver o jacarandá
que já deve estar florido.
Leonoreta, Leonoreta,
que me não levas contigo...
Fonte: Fundação Eugénio de Andrade
terça-feira, 29 de maio de 2012
Eugénio de Andrade, "Frutos"
![]() |
| Jorge Ulisses, 1980 |
Pêssegos, peras, laranjas,
morangos, cerejas, figos,
maçãs, melão, melancia,
ó música de meus sentidos,
pura delícia da língua;
deixai-me agora falar
do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor,
pelo aroma das sílabas:
tangerina, tangerina.
morangos, cerejas, figos,
maçãs, melão, melancia,
ó música de meus sentidos,
pura delícia da língua;
deixai-me agora falar
do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor,
pelo aroma das sílabas:
tangerina, tangerina.
Fonte: Fundação Eugénio de Andrade
Subscrever:
Mensagens (Atom)



