Maio maduro Maio, quem te pintou? Quem te quebrou o encanto, nunca te amou. Raiava o sol já no Sul E uma falua vinha lá de Istambul.
Sempre depois da sesta chamando as flores. Era o dia da festa Maio de amores. Era o dia de cantar. E uma falua andava ao longe a varar.
Maio com meu amigo quem dera já. Sempre no mês do trigo se cantará. Qu’importa a fúria do mar. Que a voz não te esmoreça vamos lutar.
Numa rua comprida El-rei pastor. Vende o soro da vida que mata a dor. Anda ver, Maio nasceu.Que a voz não te esmoreça a turba rompeu.
Página Paralela:
«Maio Maduro Maio» cantado por Madredeus (Bruxelas, 1994).
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Rob Riemen. “A classe dominante nunca será capaz de resolver a crise. Ela é a crise!”
Por Joana Azevedo Viana, publicado em 23 Abr 2012. [Versão integral da entrevista disponível aqui.]
O filósofo holandês esteve em Lisboa à conversa com o i sobre o espírito de resistência e o “eterno retorno do fascismo”
Thomas Mann e Franklin Roosevelt são dois dos homens que mais inspiram Rob Riemen, que esteve em Lisboa na semana passada a convite de Mário Soares para falar sobre o direito à resistência e para apresentar o seu último livro, “Eterno Retorno do Fascismo”. A chegada da fotojornalista ao lobby do Ritz acabou por dar o mote à conversa com o i.
A Patrícia foi uma das fotojornalistas em trabalho agredida pela polícia na greve geral de há um mês em Portugal. Pela polícia?!
Sim. O episódio parece remeter para o “Eterno Retorno do Fascismo”... Sim, falo disso neste livro. Estamos a lidar com o pânico da classe dominante, que se habitua ao poder para controlar a sociedade. Isso que me contas é um acto de pânico. E o interessante é que a classe dominante só entra em pânico quando perde a autoridade moral. Sem a autoridade moral, só lhe resta o poder que se transforma em violência.
O fascismo continua latente? A minha geração cresceu convencida de que o que os nossos pais viveram nunca voltaria a acontecer na Europa. Quando vocês se livraram do fascismo nos anos 70, nos anos 90 devem ter pensado que não mais o viveriam. Mas uma geração depois, já estamos a assistir a uma espécie de regime fascista na Hungria, na Holanda o meu governo foi sequestrado pelos fascistas, pelo sr. [Geert] Wilders [do Partido da Liberdade]... Com uma nota comum a todos que é o ódio à Europa. Para Wilders, o grande inimigo era o Islão e agora são os países de alho.
Países de alho? É o que ele chama a países como o vosso, Espanha, Polónia... A Europa tornou--se uma ameaça. Com a II Guerra Mundial aprendemos a lição de que a única saída, depois de séculos de sangue derramado, era ter uma Europa unida e agora as forças contra [essa união] estão a ganhar controlo. É o primeiro ponto. continuar a ler
Certa manhã, um fazendeiro descobriu que sua galinha tinha posto um ovo de ouro. Apanhou o ovo, correu para casa, mostrou-o à mulher, dizendo:
- Veja! Estamos ricos!
Levou o ovo ao mercado e vendeu-o por bom preço.
Na manhã seguinte, a galinha tinha posto outro ovo de ouro, que o fazendeiro vendeu a melhor preço. E assim aconteceu durante muitos dias. Mas, quanto mais rico ficava o fazendeiro, mais dinheiro queria. E pensou:
‘Se esta galinha põe ovos de ouro, dentro dela deve haver um tesouro!’
Matou a galinha e, por dentro nada encontrou. Era igual a qualquer outra galinha.”