terça-feira, 1 de maio de 2012


«Maio, Maduro Maio» (letra de Zeca Afonso)

Maio maduro Maio, quem te pintou? 
Quem te quebrou o encanto, nunca te amou. 
Raiava o sol já no Sul 
E uma falua vinha lá de Istambul.

Sempre depois da sesta chamando as flores.
Era o dia da festa Maio de amores. 
Era o dia de cantar. 
E uma falua andava ao longe a varar. 

Maio com meu amigo quem dera já. 
Sempre no mês do trigo se cantará. 
Qu’importa a fúria do mar. 
Que a voz não te esmoreça vamos lutar. 

Numa rua comprida El-rei pastor. 
Vende o soro da vida que mata a dor. 
Anda ver, Maio nasceu. 
Que a voz não te esmoreça a turba rompeu.


Página Paralela:

«Maio Maduro Maio» cantado por Madredeus (Bruxelas, 1994).








segunda-feira, 30 de abril de 2012


Rob Riemen. “A classe dominante nunca será capaz de resolver a crise. Ela é a crise!”

Por Joana Azevedo Viana, publicado em 23 Abr 2012. [Versão integral da entrevista disponível aqui.]
O filósofo holandês esteve em Lisboa à conversa com o i sobre o espírito de resistência e o “eterno retorno do fascismo”
Thomas Mann e Franklin Roosevelt são dois dos homens que mais inspiram Rob Riemen, que esteve em Lisboa na semana passada a convite de Mário Soares para falar sobre o direito à resistência e para apresentar o seu último livro, “Eterno Retorno do Fascismo”. A chegada da fotojornalista ao lobby do Ritz acabou por dar o mote à conversa com o i.

A Patrícia foi uma das fotojornalistas em trabalho agredida pela polícia na greve geral de há um mês em Portugal.
Pela polícia?!

Sim. O episódio parece remeter para o “Eterno Retorno do Fascismo”...
Sim, falo disso neste livro. Estamos a lidar com o pânico da classe dominante, que se habitua ao poder para controlar a sociedade. Isso que me contas é um acto de pânico. E o interessante é que a classe dominante só entra em pânico quando perde a autoridade moral. Sem a autoridade moral, só lhe resta o poder que se transforma em violência.

O fascismo continua latente?
A minha geração cresceu convencida de que o que os nossos pais viveram nunca voltaria a acontecer na Europa. Quando vocês se livraram do fascismo nos anos 70, nos anos 90 devem ter pensado que não mais o viveriam. Mas uma geração depois, já estamos a assistir a uma espécie de regime fascista na Hungria, na Holanda o meu governo foi sequestrado pelos fascistas, pelo sr. [Geert] Wilders [do Partido da Liberdade]... Com uma nota comum a todos que é o ódio à Europa. Para Wilders, o grande inimigo era o Islão e agora são os países de alho.

Países de alho?
É o que ele chama a países como o vosso, Espanha, Polónia... A Europa tornou--se uma ameaça. Com a II Guerra Mundial aprendemos a lição de que a única saída, depois de séculos de sangue derramado, era ter uma Europa unida e agora as forças contra [essa união] estão a ganhar controlo. É o primeiro ponto. continuar a ler

Rob Riemen
Fonte: 
Joana Azevedo Viana (2012, 23 Abr.). «Rob Riemen "A classe dominante nunca será capaz de resolver a crise. Ela é a crise!"». Disponível em: http://www.ionline.pt/mundo/rob-riemen-classe-dominante-nunca-sera-capaz-resolver-crise-ela-crise-1.



sexta-feira, 27 de abril de 2012


 
A Galinha dos Ovos de Ouro
Esopo (620-560 a.c.)

Certa manhã, um fazendeiro descobriu que sua galinha tinha posto um ovo de ouro. Apanhou o ovo, correu para casa, mostrou-o à mulher, dizendo:
- Veja! Estamos ricos!
Levou o ovo ao mercado e vendeu-o por bom preço.
Na manhã seguinte, a galinha tinha posto outro ovo de ouro, que o fazendeiro vendeu a melhor preço. E assim aconteceu durante muitos dias. Mas, quanto mais rico ficava o fazendeiro, mais dinheiro queria. E pensou:
‘Se esta galinha põe ovos de ouro, dentro dela deve haver um tesouro!’
Matou a galinha e, por dentro nada encontrou. Era igual a qualquer outra galinha.”

Moral da História: Quem tudo quer, tudo perde.

Esopo. A Galinha dos Ovos de Ouro. Disponível no Blog Isso eu não sabia, em 20.04.2012, http://issoeunaosabia.wordpress.com/2012/03/23/a-galinha-dos-ovos-de-ouro/.
Páginas Paralelas:
Fábulas de Esopo:
Sobre outras "fábulas" de galinhas de ovos de ouro, veja:
André L. Soares (2012). Nunca o mundo teve tantos imbecis no poder, ao mesmo tempo! Blog Doce Fel
Eric Beauchemin (13.10.2010). Microcrédito: Não há galinha dos ovos de ouro. RNW Brasil.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Os Vampiros
No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos Com pés veludo
Chupar o sangue Fresco da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada  
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada  
A toda a parte Chegam os vampiros
Poisam nos prédios Poisam nas calçadas
Trazem no ventre Despojos antigos
Mas nada os prende Às vidas acabadas
São os mordomos Do universo todo
Senhores à força Mandadores sem lei
Enchem as tulhas Bebem vinho novo
Dançam a ronda No pinhal do rei
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [Bis]
No chão do medo Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos Na noite abafada
Jazem nos fossos Vítimas dum credo
E não se esgota O sangue da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada  
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada  
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [Bis]
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [Bis]

Recorde esta versão original (1963).

Pode também visionar a versão do último concerto de Zeca Afonso, no Coliseu (29. 01.1983):