sexta-feira, 13 de abril de 2012


CANTO DE MIM MESMO

1

Celebro-me e canto-me,
E aquilo que assumo terás tu de assumir,
Pois cada átomo que me pertence, por assim dizer, pertence-te.

Ando sem destino e convido a minha alma,
Inclino-me e calmamente observo uma haste de erva estival.

A minha língua, cada átomo do meu sangue, concebidos deste solo, deste ar,
Aqui nascido de pais aqui nascidos de pais e de seus pais que também aqui nasceram.
Começo agora com trinta e sete anos, de perfeita saúde,
E espero não parar até à morte.

Deixo credos e escolas em suspenso,
Retiro-me um pouco, saciado deles, mas não os esqueço,
Dou abrigo ao bem e ao mal, permito-me falar correndo todos os riscos,
Natureza incontrolada com a sua energia original.

Walt Whitman (2006). «Canto de Mim Mesmo».
In: Folhas de Erva (Maria de Lourdes Guimarães, Trad.).
S.l.: Círculo de Leitores. pp. 28-29.

quinta-feira, 12 de abril de 2012



Banksy (s.d). Flower Chucker. Disponível em: http://www.banksy.co.uk/indoors/flowerchucker2.html 
(acedido a 7 de Abril de 2011).


Página Paralela:

Poderá saber mais sobre o trabalho de Banksy aqui.


quarta-feira, 11 de abril de 2012


Excerto de “Sete lugares onde já encontrei Portugal” de José Luís Peixoto

[…]
Coimbra

Eu tinha acabado de levantar-me de uma esplanada no Largo da Portagem, na Baixa, a metros do rio Mondego. Não me lembro que mês era, mas havia uma certa sensação de outubro, ou talvez fosse apenas eu. Havia alguma coisa que me empurrava os ombros na direcção do chão. Sei exactamente o que era, mas prefiro não falar disso agora. Ainda não passou tempo suficiente. Havia alguma coisa que me vencia. As forças desapareciam-me dos braços e dissolviam-se no ar cinzento de Coimbra em outubro, ou talvez não fosse outubro, não interessa. Aqui, o que importa é que me tinha levantado de uma esplanada no Largo da Portagem. Sempre que caminho em Coimbra é como se avançasse por outro tempo, descubro pormenores da minha memória, do meu esquecimento. Aquilo que fui existe ainda em algum lugar. Estava assim, caminhava de mãos nos bolsos, quando percebi que, do lado do Café Santa Cruz, chegava uma multidão de estudantes trajados. Enchiam a rua toda, eram milhares. O coro das suas vozes ficava preso entre as paredes. O espaço entre os andares mais altos de cada lado da rua era pequeno para libertar o clamor daquele monstro feito de muitas cabeças, muitas pernas, muitos olhos, muitas bocas cheias de dentes. Vinham na minha direcção. Por instinto, encostei-me à parede. Eram como uma inundação que cobria tudo. Foi nesse momento, capas de estudantes a passarem por mim, colados a mim, a empurrarem-me às vezes, que vi Portugal no outro lado da rua. Tentava libertar-se dos estudantes, mas Portugal estava mesmo no meio da corrente. Eu conseguia perceber que as forças estavam a faltar-lhe. Já devia vir naquela luta desde longe. Gritei-lhe, acenei-lhe. As vozes dos estudantes não deixavam que ouvisse. Gritei-lhe mais, acenei-lhe com os dois braços. E Portugal ouviu-me. Olhou na minha direcção. Nesse instante, por se ter distraído, foi arrastado pelos estudantes ao longo de vários metros. Afastando-se, levado pela multidão, Portugal acenou-me também e, esticando o polegar e o mindinho, fez-me um gesto a pedir que lhe telefonasse.
[…]

José Luís Peixoto (2011). Sete lugares onde já encontrei Portugal.
In: Abraço. Lisboa: Quetzal. pp. 240-241.


terça-feira, 10 de abril de 2012


Excerto de “Sete lugares onde já encontrei Portugal” de José Luís Peixoto

[…]
Facebook

Eu tinha perfil no facebook há dois ou três meses. Tinha sido o Alvim a dizer-me que precisava de entrar para o facebook, que não podia passar mais um dia sem criar um perfil no facebook. Já se sabe que o Alvim exagera. Um fósforo é um incêndio, um sopro é um ciclone. Mas, com a autoridade de x milhares de amigos, convenceu-me. Fui recebendo os pedidos de amizade com calma e curiosidade. Colegas da escola primária que agora tinham filhos, viviam nos arredores de Londres e me escreviam com erros ortográficos; alunas de escolas secundárias que me enviavam «lol», «bjs» e mensagens a dizer que o mundo ia acabar; mulheres, mulheres; personagens estranhas inventadas por rapazes de catorze ou quinze anos; homens que publicavam livros de poesia com títulos onde entravam as palavras «alma» ou «momentos», reticências. Foi no meio desses pedidos de amizade que recebi um de Portugal. Não o reconheci logo. Tinha uma fotografia que apenas lhe mostrava o tronco: calças de ganga, a parte de cima das cuecas, a barriga e a mão de Portugal a segurar a t-shirt, a outra mão esticada a tirar a fotografia. Escolhendo de modo aleatório, os comentários eram do género: Tina —sexy!!!; Paty — uiui!!!; Bomba Algarve — adiciona-me no msn; Carminho – sem palavras :P; etc. Além disso, tinha fotos em que aparecia sentado numa mota, ou com um cachecol do Benfica, ou numa festa de aniversário num barracão, ou a saltar para dentro de uma piscina, ou a comer mexilhões. No perfil propriamente dito, Portugal tinha mentido na idade, mais jovem. No «relationship status», tinha seleccionado a opção «tell you later». Nos filmes preferidos, só tinha escolhido filmes de terror. Nos amigos principais, só tinha raparigas em biquíni. Nos comentários, havia uma sucessão de mulheres a desejarem-lhe votos de bom fim-de-semana. Aceitei o pedido de amizade de Portugal, claro. Até hoje, pelo facebook, não trocámos mais do que duas ou três mensagens inconsequentes.

José Luís Peixoto (2011). Sete lugares onde já encontrei Portugal.
In: Abraço. Lisboa: Quetzal. pp. 239-240. 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dia Internacional do Livro Infantil 2012

Cartaz português comemorativo, da autoria de Yara Kono.

Hoje comemora-se mais um Dia Internacional do Livro Infantil. Pode saber mais informações sobre este dia aqui. A mensagem de 2012, do escritor mexicano Francisco Hinojosa, pode ser lida neste endereço.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Viana Oliveira e Manuel Garcia (2006). Vinhos e Manjares do Pico.
Madalena - Pico: Cooperativa Vitivinícula da Ilha do Pico. p. 201.

Páginas Paralelas:
Veja, em Gastronomias.com – Roteiro Gastronómico de Portugal, algumas das especialidades dos Açores e… Bom apetite! 
Pode também visitar o Elvira’s Bistrot, onde encontrará muitas receitas de pratos dos Açores.