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terça-feira, 12 de junho de 2012

B Fachada

Os discos do Sérgio Godinho



Fonte: B Fachada (2010). "Os discos do Sérgio Godinho". Há Festa na Moradia. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=Vs2FbXC8WyQ (acedido a 8 de Junho de 2012).




Página Paralela:
Página MySpace de B Fachada

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Playing with music!
Somebody That I Used to Know, by Walk off the Earth


... and a parody
by The Key of Awesome

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Soeiro Pereira Gomes, "Esteiros"

Verão
     [...]
     Como bando de pardais, a malta assaltou o vale, que era então, todo ele, frutescente pomar. Já as nespereiras, tempos antes, haviam sofirdo grave desbaste, e as cerejeiras também. Mas eram as uvas que, a todas as horas, mitigavam o apetite dos garotos. Dizia-se até que a vinha velha do Antunes, desmurada, nunca chegava a ser vindimada por ele.
     Gineto preferia, porém, as quintas frondosas do Castro e de outros, que tinham uvas de casta,  doces como o mel. Vestiu um casacão velho que lhe dava pelos joelhos, roubado ao pai, e escalou o muro, deixando os outros à espera na estrada.
     Sor Miguel, dê-me um cachinho de uvas... – gritou ele, empoleirado. Uma pausa e de novo a lamúria: – Sor Miguel...
     Ninguém respondeu. O silêncio e as portas encerradas da moradia indicavam que o caseiro devia estar longe, ou fora da quinta. Saguí informou que também o canzarrão estava preso no jardim.
     Saltaram à vinha. Gineto correu por entre as cepas, rojando o casaco, em busca de uvas moscatel. Primeiro, comeu; depois, pôs-se a encher as pregas da camisa, mantendo o casaco vazio, para não lhe tolher os movimentos.
     Junto ao muro, os companheiros depenicavam e riam, uns sentados, de cócoras outros, mas todos à vontade, como se a quinta lhes pertencesse. Naquele dia, julgavam-se donos do mundo. [...]




terça-feira, 1 de maio de 2012


«Maio, Maduro Maio» (letra de Zeca Afonso)

Maio maduro Maio, quem te pintou? 
Quem te quebrou o encanto, nunca te amou. 
Raiava o sol já no Sul 
E uma falua vinha lá de Istambul.

Sempre depois da sesta chamando as flores.
Era o dia da festa Maio de amores. 
Era o dia de cantar. 
E uma falua andava ao longe a varar. 

Maio com meu amigo quem dera já. 
Sempre no mês do trigo se cantará. 
Qu’importa a fúria do mar. 
Que a voz não te esmoreça vamos lutar. 

Numa rua comprida El-rei pastor. 
Vende o soro da vida que mata a dor. 
Anda ver, Maio nasceu. 
Que a voz não te esmoreça a turba rompeu.


Página Paralela:

«Maio Maduro Maio» cantado por Madredeus (Bruxelas, 1994).








quinta-feira, 26 de abril de 2012

Os Vampiros
No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos Com pés veludo
Chupar o sangue Fresco da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada  
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada  
A toda a parte Chegam os vampiros
Poisam nos prédios Poisam nas calçadas
Trazem no ventre Despojos antigos
Mas nada os prende Às vidas acabadas
São os mordomos Do universo todo
Senhores à força Mandadores sem lei
Enchem as tulhas Bebem vinho novo
Dançam a ronda No pinhal do rei
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [Bis]
No chão do medo Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos Na noite abafada
Jazem nos fossos Vítimas dum credo
E não se esgota O sangue da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada  
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada  
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [Bis]
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [Bis]

Recorde esta versão original (1963).

Pode também visionar a versão do último concerto de Zeca Afonso, no Coliseu (29. 01.1983):

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

José Mário Branco, "Eu vim de longe, eu vou para longe"


Quando o avião aqui chegou
Quando o mês de Maio começou
Eu olhei para ti
E então entendi
Foi um sonho mau que já passou
Foi um mau bocado que acabou
Tinha esta viola numa mão
Uma flor vermelha na outra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a fronteira me abraçou
Foi esta bagagem que encontrou
Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei p’ra aqui chegar
Eu vou p’ra longe
P’ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos p’ra nos dar
E então olhei à minha volta
Vi tanta esperança andar à solta
Que não hesitei
E os hinos que cantei
Foram frutos do meu coração
Feitos de alegria e de paixão
Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei p’ra aqui chegar
Eu vou p’ra longe
P’ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos p’ra nos dar
Quando a nossa festa se estragou
E o mês de Novembro se vingou
Eu olhei p’ra ti
E então entendi
Foi um sonho lindo que acabou
Houve aqui alguém que se enganou
Tinha esta viola numa mão
Coisas começadas noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a espingarda se virou
Foi p’ra esta força que apontou
Eu vim de longe  
De muito longe
O que eu andei p’ra aqui chegar
Eu vou p’ra longe
P’ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos p’ra nos dar



E então olhei à minha volta
Vi tanta mentira andar à solta
Que me perguntei
Se os hinos que cantei
Eram só promessas e ilusões
Que nunca passaram de canções
Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei p’ra aqui chegar
Eu vou p’ra longe
P’ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos p’ra nos dar
Quando finalmente eu quis saber
Se ainda vale a pena tanto crer
Eu olhei para ti
Então eu entendi
É um lindo sonho para viver
Quando toda a gente assim quiser
Tenho esta viola numa mão
Tenho a minha vida noutra mão
Tenho um grande amor
Marcado pela dor
E sempre que Abril aqui passar
Dou-lhe este farnel para o ajudar
Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei p’ra aqui chegar
Eu vou p’ra longe
P’ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos p’ra nos dar
E agora eu olho à minha volta
Vejo tanta raiva andar a solta
Que já não hesito
E os hinos que repito
São a parte que eu posso prever
Do que a minha gente vai fazer
Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei p’ra aqui chegar
Eu vou p’ra longe
P’ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos p’ra nos dar

José Mário Branco (1982). Eu vim de longe, eu vou para longe. Em Ser Solidário [LP vinil]. s/l: Edisom, Lda.

 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

José Gomes Ferreira, "Acordai"


Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raiz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras e o mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
José Gomes Ferreira, "Acordai"


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Bob Dylan, "The Times They Are A-Changin'"

Come gather 'round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You'll be drenched to the bone
If your time to you
Is worth savin'
Then you better start swimmin'
Or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'.

Come writers and critics
Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide
The chance won't come again
And don't speak too soon
For the wheel's still in spin
And there's no tellin' who
That it's namin'
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'.

Come senators, congressmen
Please heed the call
Don't stand in the doorway
Don't block up the hall
For he that gets hurt
Will be he who has stalled
There's a battle outside
And it is ragin'
It'll soon shake your windows
And rattle your walls
For the times they are a-changin'.



Come mothers and fathers
Throughout the land
And don't criticize
What you can't understand
Your sons and your daughters
Are beyond your command
Your old road is
Rapidly agin'
Please get out of the new one
If you can't lend your hand
For the times they are a-changin'.

The line it is drawn
The curse it is cast
The slow one now
Will later be fast
As the present now
Will later be past
The order is
Rapidly fadin'
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin'.

Bob Dylan (1964). The Times They Are A-Changin'. Retrieved November 2011, from http://www.lyricsfreak.com/b/bob+dylan/the+times+they+are+a+changin_20021240.html


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Baz Luhrmann, “Everybody’s free (To Wear Sunscreen)”


Ladies and Gentlemen of the class of '99... wear sunscreen.
If I could offer you only one tip for the future, sunscreen would be IT.
The long term benefits of sunscreen have been proved by scientists whereas the rest of my advice has no basis more reliable than my own meandering experience.
I will dispense this advice now.
Enjoy the power and beauty of your youth. Never mind. You will not understand the power and beauty of your youth until they have faded. But trust me, in 20 years you'll look back at photos of yourself and recall in a way you can't grasp now how much possibility lay before you and how fabulous you really looked.
You are NOT as fat as you imagine.
Don't worry about the future; or worry, but know that worrying is as effective as trying to solve an algebra equation by chewing bubblegum. The real troubles in your life are apt to be things that never crossed your worried mind; the kind that blindside you at 4pm on some idle Tuesday.
Do one thing every day that scares you.
Sing.
Don't be reckless with other people's hearts, don't put up with people who are reckless with yours.
Floss.
Don't waste your time on jealousy; sometimes you're ahead, sometimes you're behind. The race is long, and in the end, it's only with yourself.
Remember compliments you receive, forget the insults; if you succeed in doing this, tell me how.
Keep your old love letters, throw away your old bank statements.
Stretch.
Don't feel guilty if you don't know what you want to do with your life. The most interesting people I know didn't know at 22 what they wanted to do with their lives, some of the most interesting 40 year olds I know still don't.
Get plenty of calcium.
Be kind to your knees, you'll miss them when they're gone.
Maybe you'll marry, maybe you won't, maybe you'll have children, maybe you won't, maybe you'll divorce at 40, maybe you'll dance the funky chicken on your 75th wedding anniversary. Whatever you do, don't congratulate yourself too much or berate yourself, either. Your choices are half chance, so are everybody else's. Enjoy your body, use it every way you can. Don't be afraid of it, or what other people think of it, it's the greatest instrument you'll ever own.
Dance. Even if you have nowhere to do it but in your own living room.
Read the directions, even if you don't follow them.
Do NOT read beauty magazines, they will only make you feel ugly.
Get to know your parents, you never know when they'll be gone for good.
Be nice to your siblings; they are your best link to your past and the people most likely to stick with you in the future.
Understand that friends come and go, but for the precious few you should hold on. Work hard to bridge the gaps in geography in lifestyle because the older you get, the more you need the people you knew when you were young.
Live in New York City once, but leave before it makes you hard; live in Northern California once, but leave before it makes you soft.
Travel.
Accept certain inalienable truths, prices will rise, politicians will philander, you too will get old, and when you do you'll fantasize that when you were young prices were reasonable, politicians were noble and children respected their elders.
Respect your elders.
Don't expect anyone else to support you. Maybe you have a trust fund, maybe you'll have a wealthy spouse; but you never know when either one might run out.
Don't mess too much with your hair, or by the time you're 40, it will look 85.
Be careful whose advice you buy, but, be patient with those who supply it. Advice is a form of nostalgia, dispensing it is a way of fishing the past from the disposal, wiping it off, painting over the ugly parts and recycling it for more than it's worth.
But trust me on the sunscreen.

Letra da música “Everybody’s free (To Wear Sunscreen)”, por Baz Luhrmann. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=qHE_XGtUNx4Every (acedido a 8 de Setembro de 2011).


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Rui Veloso, "Porto Sentido"

Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende até ao mar

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata, são-joanina
dirigida sobre um monte
no meio da neblina.

Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.

E esse teu ar grave e sério
dum rosto de cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria

Ver-te assim abandonado
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento

E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa

Composição: Carlos Tê / Rui Veloso